“Tens pensado em vacinar-te?”, questiona-se na mensagem viral, na qual se promete revelar "algumas das substâncias encontradas em numerosas análises de vacinas feitas em laboratórios independentes, aqueles que não cobram das empresas farmacêuticas.”

E que substâncias são essas? De acordo com mesma publicação, encontrou-se sais de alumínio, aço inoxidável, chumbo, volfrâmio, cloro, níquel, crómio, titânio, glifosato, oxihidróxidos de alumínio, arsénio, mercúrio, urânio, ADN fetal, retrovírus endógenos K, brometo de cetiltrimetilamónio, formaldeído e polissorbato 80. Junto de cada conjunto de substâncias é apresentado um Código QR, que permite aos utilizadores pesquisar mais informação. 

Mas é verdade que as vacinas, incluindo a administrada contra a Covid-19, utilizam estas substâncias?

De acordo com a plataforma de verificação de factos espanhola Newtral.es, os códigos QR que surgem junto das substâncias encaminham os leitores para estudos sem aval científico ou que não demonstram a presença daquelas em vacinas.

Dois destes códigos têm como destino o blog de uma associação chamada Moms Across America, que não publica artigos científicos, mas textos assinados por “uma coligação de mães imparáveis”. Outro direciona os leitores para o site “Ciência e Saúde Natural” que é antivacinas e contém textos falsos, onde são abordados temas como os alegados danos da tecnologia 5G na saúde.

O síte IMPFKRITK.de é outro dos destinos dos Códigos QR. Nesta página, são publicadas textos sobre vacinas sem evidências e não estudos com base científica credível. Por fim, é-se reencaminhado para o site “CraveMed”, o qual publica estudos que não foram submetidos a revisão por pares.

Ao Polígrafo, Celso Cunha, virologista e professor no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, explica que nenhuma das vacinas contra a Covid-19 administradas na Europa "contém os ingredientes” referidos pela publicação “e que, tirando o ADN fetal, são potencialmente tóxicos". O virologista remete para o site da Food and Drug Administration (FDA) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, onde se pode consultar a composição das vacinas da Pfeizer/BioNTech e da Moderna, que foram aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA).

Celso Cunha garante que “todos os ingredientes descritos para ambas as vacinas já foram amplamente testados e a sua segurança é inquestionável" atualmente. "Alguns deles são mesmo ingeridos por nós todos os dias quando nos alimentamos”, recorda, antes de concluir: “Essas publicações são falsas e penso fazerem parte da campanha anti-vacinas, anti-ciência, etc.”

Em suma, pode conclui-se que a imagem alegadamente informativa é composta por falsidades. Além disso, o viroligista Celso Cunha assegura que as vacinas já aprovadas pela EMA e a ser administradas em Portugal não contêm nenhum desses elementos potencialmente nocivos para a saúde humana.

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Avaliação do Polígrafo:

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