"Esta vacina de mRNA está a dizer às células para produzirem uma proteína não humana, a proteína spike", realça Daniel Nagase na intervenção gravada em vídeo. Como tal, questiona: "Por que raio é que estão a dar às crianças, com sistemas imunitários que ainda estão a desenvolver-se e a aprender a distinguir entre boas e más células no corpo… Porque é que estão a dizer às células no interior do corpo de uma criança para produzir uma proteína não humana?"

Importa começar por salientar que Daniel Nagase foi recentemente admoestado pelo Serviço de Saúde de Alberta (AHS, na sigla em língua inglesa), agência governamental de uma das 10 províncias do Canadá, por difundir desinformação e ter dito que administrou comprimidos de Ivermecticina em três infetados com Covid-19.

"Nem a versão de medicamento veterinário nem a versão de medicamento humano da Ivermecticina foram consideras seguras ou eficazes para utilização no tratamento ou prevenção da Covid-19", informou o AHS, através de um comunicado, avisando que a versão de medicamento veterinário "pode causar problemas de saúde potencialmente graves se for consumido por humanos.

"É extremamente decepcionante que alguém espalhe desinformação sobre o tratamento da Covid-19 desta forma", criticou a AHS, referindo-se a Daniel Nagase.

Ainda assim, o vídeo em que esse médico canadiano alega que as vacinas de mRNA prejudicam o desenvolvimento do sistema imunitário das crianças tornou-se viral nas redes sociais.

O facto é que o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA assegura que a proteína spike desenvolvida pelas vacinas de mRNA contra a Covid-19 não representa um risco para as pessoas elegíveis a tomarem essas vacinas, ou seja, com cinco ou mais anos de idade.

  • Parlamento Europeu "vota uma proposta" para "indemnizar as vítimas da vacinação Covid-19"?

    "Na sequência das teorias da conspiração, o Parlamento Europeu vota uma proposta de resolução para indemnizar as vítimas da vacinação [contra a] Covid-19", destaca-se nas redes sociais, em publicações que mostram uma imagem da suposta proposta de resolução que, entre outras falsidades, indica que as vacinas "tiveram consequências fatais para cerca de 5.000 pessoas" na União Europeia. O Polígrafo verifica.

Como é que funcionam as vacinas de mRNA? Atuam de forma a preparar o organismo para se defender da Covid-19. A molécula mRNA tem instruções para produzir a proteína spike, da qual o coronavírus necessita para entrar nas células do organismo. Quando a vacina é administrada a uma pessoa, algumas das suas células vão ler as instruções do mRNA e produzir temporariamente a proteína spike. O sistema imunitário da pessoa irá então reconhecê-la como estranha e produzir anticorpos. Vai ainda ativar as células T (glóbulos brancos) para atacá-la.

Se, mais tarde, a pessoa entrar em contato com o coronavírus SARS-CoV-2, o seu sistema imunitário irá reconhecê-lo e estará pronto para defender o organismo. O mRNA da vacina não permanece no organismo, sendo decomposto pouco tempo após a vacinação.

Em recente artigo de verificação de factos, o Polígrafo já tinha desmentido que as vacinas contra a Covid-19 possam comprometer o sistema imunitário das pessoas inoculadas. Na altura, fonte oficial do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) sublinhou que "as vacinas aprovadas contra a Covid-19 foram desenvolvidas tendo como base décadas de investigação fundamental e conhecimento acumulado".

"A sua segurança foi testada em ensaios clínicos e subsequentemente sujeita a aprovação pelas entidades reguladoras competentes, no caso da Europa a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Desde então que estas vacinas têm sido administradas a milhões de pessoas, demonstrando a sua elevada segurança e eficácia", assegurou. "De facto, a frequência de efeitos adversos graves é muito reduzida, sendo que assistimos a uma diminuição incrível no número de hospitalizações e fatalidades por Covid-19".

“Portanto, estas vacinas foram amplamente testadas e escrutinadas e são seguras e eficazes. Esta é a evidência científica e epidemiológica existente, comprovada nomeadamente através de inúmeros estudos publicados na área, após revisão por pares", concluiu.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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