"As vacinas da Covid-19 não são vacinas, são uma perigosa terapia genética experimental. As vacinas normais criam imunidade contra doenças, mas estas vacinas não criam imunidade contra a Covid-19. Os seres humanos estão a ser utilizados como ratos de laboratório", lê-se na declaração atribuída a Steven Hotze.

As palavras surgem escritas a branco por cima de uma fotografia do alegado autor da afirmação.

Confirma-se?

Steven Hotze é um médico norte-americano, fundador e diretor executivo da clínica Hotze Health & Welness em Houston, no Texas. Contudo, a Food and Drugs Administration (FDA) dos Estados Unidos já enviou uma carta a Hotze por vender e promover produtos não aprovados, alegando que protegem contra a Covid-19.

"Pedimos que que cesse imediatamente a venda de produtos não aprovados e não autorizados de mitigação, prevenção, tratamento, diagnóstico ou cura da Covid-19", lê-se no documento.

Outros jornais de fact-checking como a AFP Fact-Check, o Newtral.es e o Estadão Verifica, já analisaram afirmações de Steven Hotze, incluindo esta declaração partilhada num vídeo publicado pelo próprio médico nas redes sociais.

A FDA define terapia genética como "uma técnica que modifica os genes de uma pessoa para tratar ou curar uma doença". No entanto, como já foi explicado pelo Polígrafo, as vacinas não transformam geneticamente os organismos. Na altura, Alexandra Moreira, investigadora do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, assegurou que "nós não somos geneticamente modificados pela vacina. O mRNA nunca vai integrar o DNA. O DNA está compactado nos cromossomas, é aí que está a nossa informação genética, mas o mRNA é um outro módulo completamente diferente e não vai integrar o nosso DNA. Não vamos ser organismos geneticamente modificados de forma nenhuma".

  • Vacinas de mRNA transformam as pessoas em organismos geneticamente modificados?

    Num vídeo que está a ser difundido das redes sociais, falado em inglês (e legendado em português), Dolores Cahill, professora da University College Dublin, Irlanda, apresenta uma série de considerações sobre a Covid-19 e as vacinas de mRNA que, alega, modificam a composição genética dos seres humanos e provocam doenças auto-imunes. Verificação de factos.

Além disso, as autoridades de saúde da União Europeia (UE), nomeadamente a Agência Europeia do Medicamento (EMA), já aprovaram as vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna, Astrazeneca e Janssen, considerando-as seguras.

Numa outra verificação de factos do Polígrafo a uma declaração semelhante, Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, assegurou que "em relação às vacinas, os protocolos são claros e os reguladores avaliaram os dados. Estão licenciadas para uso de emergência. Não há dúvida nenhuma. Cumpriram os perfis de segurança e, até agora, com milhões de vacinas administradas, nada mudou".

Relativamente à afirmação de que “estas vacinas não criam imunidade contra a Covid-19”, a FDA garante que as vacinas ajudam o organismo “a desenvolver imunidade contra o vírus que causa a Covid-19, sem que para isso seja preciso contrair a doença”.

Em suma, confirma-se que a frase foi proferida pelo médico norte-americano Steven Hotze, mas as informações que são transmitidas são falsas.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network