"Qual será a razão para a Direção-Geral da Saúde continuar a administrar um produto que tem suspeita de mais de 50.000 mortos e mais de um milhão de efeitos adversos reportados, só na UE? Será que estes números são falsos?" Assim se questiona num tweet recente, solicitando ao Polígrafo uma verificação de factos.

Na mesma publicação apresenta-se um gráfico com os números das alegadas mortes reportadas após a administração de vacinas contra a Covid-19, sendo que a da Pfizer, supostamente, terá provocado mais mortes. Seguem-se as da Moderna, AstraZeneca e Janssen.

No total, de acordo com o gráfico, foram reportadas 53.076 mortes após a administração das vacinas até ao dia 24 de janeiro.

A partir destes dados pode concluir-se que as vacinas contra a Covid-19 provocaram mais de 50 mil mortes?

A fonte para os números apontados é a EudraVigilance, uma plataforma desenvolvida pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) para a notificação de suspeitas de efeitos secundários de medicamentos autorizados ou em estudo no Espaço Económico Europeu, mas que é frequentemente utilizada para difundir desinformação sobre as vacinas.

Em maio de 2022, em declarações à AFP, uma porta-voz da assessoria de imprensa da EMA já tinha esclarecido que circulavam "muitas interpretações incorretas" sobre os dados relativos às suspeitas de efeitos secundários das vacinas contra a Covid-19.

Esta frisava ainda que "para a maioria dos medicamentos e vacinas, a vasta maioria das suspeitas de eventos adversos não são eventualmente confirmadas como efeitos secundários de facto" e, em caso de morte, "é difícil afirmar com certeza a real causa da morte mesmo se todas as informações, incluindo resultados de autópsias, estiverem disponíveis".

Tal como se alerta na plataforma EudraVigilance, as informações que constam no site "referem-se a efeitos secundários suspeitos, ou seja, eventos clínicos que foram observados após a administração das vacinas contra a Covid-19, mas que não estão necessariamente relacionados com a vacina, nem são necessariamente causados por ela". Sublinha-se aliás que "esses eventos podem ter sido causados por outra doença ou estar associados a outro medicamento tomado pelo doente ao mesmo tempo".

Além de que o reporte pode ser feito tanto por pacientes como por profissionais de saúde, não se podendo concluir com segurança que aquele número representa o número real de efeitos adversos das vacinas.

Na plataforma em causa também não se identificaram os números apontados pelo tweet. O Polígrafo contactou o Infarmed, solicitando um esclarecimento sobre estes dados. Em resposta, o Infarmed clarificou que, após a análise dos dados constantes da base de dados europeia que agrega os dados de reações adversas a medicamentos, se verificou que os "casos notificados que ocorreram no espaço económico europeu, com o desfecho morte" até ao dia 4 de fevereiro são 3.115 nos vacinados com a Pfizer, 1.266 para a vacina Moderna, 1.526 na AstraZeneca, 324 na Janssen e três noutras vacinas.

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde relembra que "durante as campanhas de vacinação as mortes por outras causas continuaram a ocorrer, sem que necessariamente haja qualquer relação com a vacinação" e que "as informações incluídas neste sítio da Internet dizem respeito a efeitos indesejáveis suspeitos, ou seja, acontecimentos clínicos que foram observados após a utilização de um medicamento, mas que não estão necessariamente relacionados com esse medicamento, nem são necessariamente causados por ele".

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto "EUROPA". O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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