“Os meus doentes que me perguntam sobre a vacina são por mim elucidados que, na verdade, ninguém sabe o que são essas vacinas, pois sabemos que são experimentais, a segurança delas é garantida politicamente (visto antes fazerem assinar um termo de responsabilidade sobre se algo correr mal é por consentimento do próprio, a entidade de saúde não se responsabiliza, bem como os laboratórios que fabricam têm declaração de isenção de acusação de responsabilização sobre os malefícios resultantes delas)”, lê-se no post no Facebook, datado de 13 de fevereiro.

 “Então é melhor pensar se vale a pena correr perigo de vida por uma doença que até nem é tão mortal e que tem tratamentos possíveis e sobretudo receber uma vacina que não serve para nada (segundo a informação que nos dão, pois não evita a doença e nem os contágios)”, escreve-se ainda.

As alegações têm algum fundamento científico?

Nas redes sociais, a palavra experimental continua a ser associada às vacinas contra a Covid-19. O tempo recorde em que os imunizantes foram desenvolvidos e as informações falsas partilhadas em larga escala muito contribuem para essa opinião.

Porém, tal como o Polígrafo já verificou anteriormente, as vacinas contra a Covid-19 não são tratamentos experimentais. "Em relação às vacinas, os protocolos são claros e os reguladores avaliaram os dados. Estão licenciadas para uso de emergência. Não há dúvida nenhuma. Cumpriram os perfis de segurança e até agora, com milhões de vacinas administradas, nada mudou", assegura Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.

A garantia é corroborada por João Júlio Cerqueira, médico especialista em Medicina Geral e Familiar. "O que está a acontecer não é um 'tratamento experimental massivo'. As vacinas são seguraspassaram por todos os estudos que é suposto passarem antes de serem introduzidas no mercado. De qualquer forma, já saíram os primeiros relatórios relativamente à fase 4, que é a fase de monitorização depois de a vacina entrar no mercado e o perfil de efeitos adversos é consistente com o que observamos nos estudos de fase 3", afirma.

Os resultados das fases de teste das várias vacinas aprovadas são também elucidativos da sua segurança e eficácia.

Os testes da vacina da Pfizer/BioNTech envolveram 44.820 voluntários em vários pontos do mundo, dos quais 43.448 receberam injeções. 42% dos participantes tinham mais de 55 anos. Os resultados desta vacina foram publicados na revista médica The New England Journal of Medicine (NEJM) a 10 de dezembro de 2020, tendo demonstrado uma taxa de eficácia de 95%.

No caso da vacina da Moderna, os resultados também foram publicados na The New England Journal of Medicine, no dia 30 de dezembro de 2020. Os testes envolveram 30.420 voluntários. A taxa de eficácia do fármaco é de 94,1% e este foi aprovado para uso nos países da União Europeia no dia 6 de janeiro de 2021.

Vacina Corona

Já a vacina da Oxford-AstraZeneca para a Covid-19 foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) no dia 29 de janeiro. Os resultados foram publicados no dia 8 de dezembro de 2020 na revista científica The Lancet, demonstrando uma eficácia de mais de 90% nos testes em que participaram 11.636 pessoas.

Foi também esclarecido pelo Polígrafo, em dezembro de 2020, que é falso que a toma da vacina contra a Covid-19 pressuponha a assinatura de um termo de responsabilidade.

Na altura, um questionário distribuído pelo Centro Hospitalar Universitário de Lisboa (CHLN) foi divulgado nas redes sociais enquanto termo de responsabilidade. O centro hospitalar assegurou que o preenchimento do documento não era obrigatório e que a administração da vacina não ficava dependente da assinatura do mesmo.

"O questionário não configura um consentimento informado, tendo em consideração todo o contexto relativo à toma da vacina, dado que esta é voluntária", sublinhou o CHLN, na resposta ao Polígrafo.

De acordo com a mesma fonte, o questionário distribuído aos profissionais de saúde constitui "um exemplo de boa-prática e garantia da segurança na utilização da vacina, através da recolha sistemática e estruturada de informação clínica prévia à sua administração", de forma a cumprir "a dupla função de recolha de informação para a decisão, em paralelo com disponibilização de informação relativa aos efeitos adversos descritos nos documentos regulamentares da vacina".

Conclui-se que a informação prestada na publicação analisada é falsa. As vacinas contra a Covid-19 não são experimentais e cumpriram todos os passos das fases de teste necessários para serem aprovadas. Também não é verdade que a toma da vacina implique a assinatura de um termo de responsabilidade.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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