John O'Looney, de Milton Keynes, Inglaterra. É este o nome e a localização de um homem que tem conquistado admiradores nas redes sociais. Num vídeo de sete minutos - que só no Twitter já conta com mais de 150 mil visualizações - apresenta-se como agente funerário e faz declarações polémicas sobre o impacto das vacinas contra a Covid-19 no sistema imunitário.

A principal alegação de O'Looney é que "as vacinas corroem o sistema imunitário" e impedem o organismo de combater uma constipação comum, assim como a variante Ómicron do coronavírus. O agente funerário vai mais longe e chega a comparar os efeitos das vacinas às sequelas da quimioterapia.

"Um paciente com cancro que faça quimioterapia tem o seu sistema imunitário dizimado. (...) E é isso que vemos agora com as vacinas", sustenta.

Será verdade que as vacinas prejudicam o sistema imunitário? E os seus efeitos podem ser comparados aos da quimioterapia?

A Direção-Geral da Saúde (DGS) garante que não e sublinha que as vacinas têm o efeito contrário ao alegado por O'Looney. "A vacina contra a Covid-19, tal como outras vacinas, mimetiza a entrada de um microorganismo no nosso corpo. Logo, estimula o sistema imunitário, tornando-o mais eficaz a responder contra o vírus que causa a Covid-19", informa.

No mesmo plano, a DGS explica ao Polígrafo que tem sido estudado com grande detalhe o impacto das vacinas contra a Covid-19 no sistema imunitário "e estes estudos são consistentes em mostrar que o sistema imunitário não é prejudicado por nenhuma das vacinas em utilização".

Questionada sobre se há alguma evidência científica de que a vacina contra a Covid-19 possa impedir o sistema imunitário de combater a variante Ómicron, a DGS assegura que "pelo contrário, as vacinas contra a Covid-19 auxiliam o sistema imunitário a lutar contra a variante Ómicron".

Segundo a DGS, as diferenças entre a variante Ómicron e as variantes anteriores "fazem com que o vírus tenha uma maior capacidade de evasão à resposta imunitária, mas mesmo esta capacidade de evasão é muito limitada". Assim sendo, "a resposta celular do sistema imunitário está globalmente mantida contra a variante Ómicron e é responsável pela proteção contra doença grave, que se mantém bastante robusta mesmo nesta variante".

E os efeitos da vacina contra a Covid-19 podem ser comparados às sequelas da quimioterapia? De forma alguma, garante a DGS.

"Os efeitos da vacina não têm qualquer comparação com os efeitos da quimioterapia. A quimioterapia pode causar imunossupressão, diminuindo a função das células do sistema imunitário. As vacinas têm um efeito oposto, estimulando células do sistema imunitário a melhorar a sua capacidade de combater infeções", conclui.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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