"Ele trabalhou com o Bill Gates e em grandes farmacêuticas e é muito claro sobre a 'caixa de Pandora' que se está a abrir, com a ajuda da ignorância dos políticos e os porta-vozes vendidos, neste processo criminoso de vacinação em massa ou melhor dizendo destruição da imunidade em massa", alega-se na descrição do vídeo.

As alegações de Geert Vanden Bossche já foram refutadas por vários especialistas e plataformas de verificação de factos.

"A evolução viral é normal e vai acontecer - de facto, já aconteceu - com ou sem vacina, dizem virologistas. Quando emergem novas variantes, as vacinas podem ser atualizadas. As atuais vacinas contra a Covid-19 deverão providenciar pelo menos alguma proteção contra novas variantes do coronavírus, segundo concluiu um estudo preliminar", sublinha-se em artigo da "Lead Stories", publicado no dia 17 de março.

Em recente artigo publicado no jornal "USA Today", Otto Yang apontou no mesmo sentido, considerando que a evolução viral é normal e não deverá ser motivo de grande preocupação. Professor de Medicina na divisão de doenças infecciosas da Escola de Medicina Geffen da Universidade da Califórnia, Los Angeles, Yang respondeu a questões endereçadas pela "Lead Stories", desmontando as teorias infundadas de Vanden Bossche.

"A premissa central desse autor [Vanden Bossche] é que a fuga de vírus produzirá variantes mais letais. Isso simplesmente contradiz a Biologia básica. O meu artigo aborda algumas destas questões: os vírus não evoluem para se tornarem mais letais; a evolução favorece que se tornem menos letais. Se ocorrer uma variante mais letal, é por azar aleatório, não por seleção. E não é benéfico para o vírus, para o qual matar o hospedeiro é matar a sua própria sobrevivência", explica Yang.

Por outro lado, Zubin Damania, professor de Medicina na Universidade de Nevada, publicou um vídeo no YouTube em que também refuta as teorias de Vanden Bossche.

"A primeira alegação é a de que as vacinas não previnem, ou nem sequer reduzem, diz ele, a transmissão assintomática em pessoas que são vacinadas, ou a replicação viral em pessoas que são vacinadas. Isso é simplesmente errado", sublinha Damania.

"A ideia de que as vacinas não são a resposta certa - e o que ele está a defender é parar e deixar que centenas de milhares ou milhões de pessoas morram de um vírus 'inofensivo' porque se pode estar a promover variantes -, comprendem porque é que isso é uma loucura agora? Não faz sentido. Uma receita para gerar exatamente o que Vanden Bossche está a dizer é permitir que o vírus se replique naturalmente, aí teremos todas as variantes do mundo", conclui.

O diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, em conferência de imprensa na Casa Branca, a 1 de fevereiro, apelou que as pessoas de vacinem o mais cedo possível, não apenas para se protegerem a elas próprias, mas também para prevenir a emergência de novas variantes do coronavírus.

"Os vírus não podem sofrer mutação se não se replicarem. E se interrompermos a sua replicação através de uma ampla vacinação e não dando ao vírus um campo aberto para continuar a responder às pressões que lhe colocamos, não teremos mutações", afirmou Fauci.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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