"Um estudo realizado pela Armed Forces Health Surveillance Branch com militares nos EUA e publicado em janeiro de 2020 mostrou que a vacina contra o vírus influenza parece aumentar em 36% o risco de infecção por Covid-19. De acordo com os investigadores, apesar da vacina contra a influenza oferecer uma proteção razoável contra a gripe comum, a imunidade natural contra a influenza – aquela que se desenvolve quando se apanha uma gripe - pode estimular um tipo de defesa não-específica capaz de reduzir o risco de ser infectado por outros vírus respiratórios", indica-se no texto da publicação.

Verdade ou falsidade?

estudo científico referido na publicação tem o seguinte título: "Vacinação contra a influenza e interferência de vírus respiratórios entre o pessoal do Departamento de Defesa durante a temporada 2017-2018 de influenza". É da autoria de Greg Wolff, do departamento norte-americano Armed Forces Health Surveillance Branch (AFHSB), e foi publicado no dia 10 de outubro de 2019.

Na investigação desenvolve-se a teoria de que a vacinação contra o influenza [o vírus causador da gripe comum] pode aumentar o risco de contrair outros vírus respiratórios, um fenómeno conhecido como "interferência viral". Os investigadores analisaram quatro estirpes sazonais de coronavírus. No entanto, atendendo à data do estudo, o SARS-CoV-2 ainda não tinha sido descoberto.

O Sistema de Saúde Militar dos EUA, do qual faz parte o AFHSB, informou a plataforma de verificação de factos "FactCheck.org" que o estudo incide sobre dados anteriores à pandemia de Covid-19, cerca de dois anos antes. Mais, a investigação debruçou-se sobre os coronavírus sazonais "sem potencial para uma propagação endémica" e "que impactam crianças e adultos sem complicações graves de saúde".

Além disso, na conclusão do estudo sublinha-se que "os resultados mostraram pouca ou nenhuma evidência que apoie a associação de interferência viral e vacinação contra o influenza". Ou seja, a vacina contra a gripe comum não mudou a probabilidade de os indivíduos em geral terem outras doenças respiratórias.

Em suma, o estudo em causa não demonstra que a vacina para o vírus da gripe tenha qualquer influência na infeção pela Covid-19, uma vez que a doença nem sequer era conhecida na altura.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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