Com o recente aumento de casos de Mpox, inicialmente designado como varíola dos macacos, e a atenção mediática em torno da doença, surgiram nas redes sociais diversas teorias que associam a vacina da Astrazeneca contra a Covid-19 à transmissão de Mpox. Publicações na rede social X afirmam que a vacina “contém varíola dos macacos”, justificando-se com a presença de “adenovírus de chimpanzé recombinante” na sua composição.
Mas será que as publicações nas redes sociais demonstram uma verdadeira relação entre a vacina contra a Covid-19 e a Mpox?
Não. Começando por explicar que a origem do nome “varíola dos macacos” remonta a um caso em que o vírus foi descoberto num macaco de laboratório por um investigador dinamarquês. Trata-se de uma infeção causada por um vírus designado “monkeypox”, como está expresso no site do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Esta é uma doença zoonótica, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos, bem como entre pessoas.
E, de facto, o adenovírus de chimpanzés está presente na formulação da vacina de Covid-19 da AstraZeneca, mas é falso que cause Mpox. Este, segundo a bula da vacina, “codifica a glicoproteína S (Spike) ChAdOx1-S do vírus SARS-CoV-2”, não existindo qualquer relação com a doença nem esta consta entre os possíveis efeitos adversos da vacina.
À agência Reuters, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que produz a vacina da AstraZeneca no Brasil, explicou que “não há correlação entre a vacina produzida em parceria com a Astrazeneca e a Mpox, pois não existe relação genética entre o vírus causador da doença e o adenovírus utilizado na produção do imunizante”.
Além disso, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os adenovírus são vírus comuns que normalmente causam doenças leves similares a constipações ou gripes, mas nada em relação a doenças como a Mpox.
Portanto, a presença de adenovírus de chimpanzé na vacina da Astrazeneca não tem qualquer ligação com o vírus da varíola dos macacos, e as alegações que circulam nas redes sociais são infundadas.
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Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.
*Texto editado por Marta Ferreira.
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