São muitas as sugestões de tratamento da Covid-19 que têm corrido as redes sociais desde o início da pandemia. Entre remédios caseiros e a utilização de algumas vitaminas, existe uma constante: até agora nenhuma dessas sugestões foi validada cientificamente.

A informação de que a vitamina C estaria a ser ministrada nos hospitais norte-americanos como forma de tratamento da Covid-19 e que tinha já apresentando bons resultados foi partilhada por um artigo publicado pelo New York Post. Neste texto, um pneumologista norte-americano chamado Andrew G. Weber explica que os pacientes internados nos cuidados intensivos estão a receber 1.500 mg de vitamina C por via endovenosa. “Os pacientes que receberam vitamina C ficaram significativamente melhores do que os que não receberam vitamina C”, pode ainda ler-se.

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Nos Estados Unidos – devido à dimensão do país e ao elevado número de habitantes e de pacientes infetados – “deve haver indivíduos a fazer tudo” para prevenir e tratar a Covid-19, considera Filipe Froes, pneumologista e coordenador do Gabinete de Crises da Ordem dos Médicos. No entanto, segundo explica ao Polígrafo, não existe qualquer fundamento científico que prove o impacto da vitamina C no combate à Covid-19 – à semelhança do que acontece para a vitamina D.

“Nós temos indicações para utilizar a vitamina C em determinados pacientes com sépsis”, afirma o pneumologista, recusando o uso desta substância no tratamento da Covid-19. “Nós usamos nas indicações clássicas. Quando a Covid-19 está associada a um choque sético nós fazemos o tratamento do choque sético, que inclui vitamina C. Não é para a Covid-19”, explica.

A justificação para a utilização da vitamina C no combate à Covid-19 está ligada à associação entre esta substância e a cura de gripes e constipações. No entanto, Froes desmistifica essa ideia: “Os indivíduos que tomam vitamina C, por exemplo, têm menos doenças crónicas, fazem mais desporto, não fumam, se calhar fazem mais a vacina da gripe. Não é a vitamina C. A vitamina C faz parte de um pacote de medidas que estas pessoas adotam -  o chamado voluntário saudável”, esclarece referindo que esse efeito já foi provado.

“Nós temos indicações para utilizar a vitamina C em determinados pacientes co, sepsis”, afirma o pneumologista Filipe Froes, recusando o uso desta substância no tratamento da Covid-19. “Nós usamos nas indicações clássicas. Quando a Covid-19 está associada a um choque sético nós fazemos o tratamento do choque sético, que inclui vitamina C. Não é para a Covid-19”, explica.

Neste momento a universidade chinesa de Wuhan (a cidade onde começou a pandemia) tem em curso um ensaio clínico no Hospital de Zhongnan que pretende comprovar se o uso de vitamina C tem ou não efeitos positivos no tratamento da Covid-19. No entanto, o estudo ainda está a decorrer e a publicação dos resultados está prevista apenas para setembro de 2020.

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Para Filipa Vicente, nutricionista e professora auxiliar do Instituto Universitário Egas Moniz, estes artigos – que têm sido partilhados inclusivamente por marcas de suplementos – incorrem em duas meias verdades: “Primeiro, a vitamina C que está a ser utilizada é por via endovenosa, nada tem a ver com suplementação; em segundo lugar não é verdade que é um tratamento, ela está a ser usada num ensaio clínico - ou seja, é um teste”. “Estamos a enganar o consumidor, porque o consumidor vai comprar vitamina C à farmácia, ao supermercado, nas lojas de suplementos, baseando-se numa alegação que não existe”, acrescenta.

Para a nutricionista Filipa Vicente, a partilha desta informação é “relativamente perigosa” porque pode levar as pessoas a procurarem suplementos de vitamina C, sem qualquer prescrição, e ingerir doses superiores às recomendadas pelos especialistas.

A nutricionista considera a partilha desta informação é “relativamente perigosa” porque pode levar as pessoas a procurarem suplementos de vitamina C, sem qualquer prescrição, e ingerir doses superiores às recomendadas pelos especialistas. “A vitamina C quando está em excesso torna-se pró-oxidante e precisa de outras vitaminas – nomeadamente a vitamina E e a vitamina A – para não oxidar”, esclarece.

Avaliação do Polígrafo:

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