"Universidade Johns Hopkins confirma: podes ter sido mRNA-'vacinado' (modificado geneticamente) com um teste PCR, mesmo sem saberes", destaca-se num dos posts em causa (datado de 13 de fevereiro) que remete para um artigo com o seguinte título (tradução livre a partir do original em língua inglesa), praticamente similar: "Universidade Johns Hopkins confirma: Pode ser vacinado com um teste PCR, mesmo sem saber".

Através da hiperligação chegamos ao artigo, publicado num site em língua inglesa, no qual são citados vários estudos científicos da prestigiada Universidade Johns Hopkins (situada em Baltimore, Maryland), assim como diversos comunicados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com destaque para uma tecnologia experimental que, alegadamente, estará a ser desenvolvida por cientistas da Johns Hopkins - os theragrippers, descritos como micro-dispositivos em forma de estrela que têm como função a "libertação de medicação no interior do corpo".

A premissa do texto que está a ser partilhado nas redes sociais assenta na suposta existência de provas de que esta tecnologia inovadora poderá ter servido para vacinar pessoas contra a Covid-19, sem o respetivo conhecimento nem autorização, através da zaragatoa utilizada nos testes PCR.

Verdade ou falsidade?

De acordo com a "Lead Stories", plataforma norte-americana de verificação de factos, os micro-dispositivos que servem de base a esta teoria da conspiração fazem parte de um estudo em animais publicado em outubro de 2020 na revista científica "Science Advances". Nesse estudo são descritos os resultados da "administração de medicamentos pelo trato gastrointestinal" e conclui-se que estes oferecem "melhor adesão em relação aos injetáveis e, consequentemente, melhores resultados de tratamento". Contudo, não é feita qualquer referência aos testes PCR.

  • Testes de RT-PCR que detetam a Covid-19 foram banidos nos EUA?

    Garante-se nas redes sociais que o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), uma organização do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, baniu, a 1 de janeiro de 2022, os testes que usam o método RT-PCR para diagnosticar o novo coronavírus. É verdade?

Além disso, a Johns Hopkins Medicine, em esclarecimentos prestados à "Lead Stories", destacou que um artigo sobre esta tecnologia, publicado em novembro de 2020 na sua página institucional, "tem sido inadvertidamente utilizado com propósitos desinformativos, durante a pandemia". Segundo a mesma fonte oficial, "o artigo descreve pequenos dispositivos conhecidos por theragrippers que são enviados para os intestinos através de uma endoscopia".

"Quando estes dispositivos de tamanho microscópico atingem uma certa temperatura, prendem-se ao tecido e libertam o medicamento que continham. Esta nanotecnologia mostrou ser promissora em ambiente laboratorial. No entanto, está numa fase precoce e ainda não foi aprovada para utilização em seres humanos", esclarece a Johns Hopkins Medicine. "Os theragrippers não foram testados nem usados ​​para administração de vacinas".

Em suma, conclui-se que a publicação analisada transmite informação falsa.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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