"Mais um artigo da série: o Chega não é fascista, nem tem simpatias pelos nazis. O autor do texto é Gabriel Mithá Ribeiro, vice-presidente de André Ventura, investigador do ISCTE e cronista do 'Observador'", destaca-se na mensagem da publicação em causa, apresentando depois hiperligações para o artigo (publicado na página oficial do partido Chega) e para o perfil do autor no âmbito da sua atividade como investigador no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

Um vice-presidente do Chega escreveu artigo sobre "Hitler e Mussolini amordaçados pela ditadura mental"?

Sim, mas a forma como esta informação é assim apresentada, sem contexto, pode induzir em erro.

Neste caso, o contexto passa por ler o artigo (acessível por aqui), ou mais corretamente a segunda parte de um artigo em que o autor, Gabriel Mithá Ribeiro, um dos vice-presidentes do partido Chega, defende as virtudes do "nacionalismo", traduzindo-se por exemplo na ideia de que "rejeitar liminarmente o antinacionalismo ou globalismo antifronteiras constitui um dever da cidadania responsável num momento em que a desregulação da imigração extraeuropeia há muito fez soar os alarmes por toda a Europa Ocidental. No entanto, a única forma de autodefesa dos povos, o seu nacionalismo, continua deslegitimada por um conluio de elites antinacionais que agrega académicos, intelectuais, jornalistas, políticos, artistas, sindicalistas, por aí adiante".

Na perspetiva de Mithá Ribeiro, "a sensibilidade nacionalista das pessoas comuns não pode continuar a ser ignorada, humilhada, desrespeitada, tratada como uma doença civilizacional dos portugueses, dos povos europeus e demais povos do mundo ocidental, como os brasileiros ou norte-americanos. Tal conjunto de nacionalidades deve compreender que o equilíbrio mental coletivo das suas sociedades foi colocado em causa por uma gestão fortemente enviesada da memória social organizada em torno do nacionalismo fascista, simbolizado em Benito Mussolini, e do nacionalismo nazi, de Adolf Hitler. Não está em causa o julgamento condenatório desses regimes, porém nem o maior crápula do planeta pode ser sequestrado pela manipulação e pela mentira, antes confrontado com a verdade e com o sentido de justiça em nome da liberdade".

Ou seja, ao sublinhar que "não está em causa o julgamento condenatório desses regimes", parece ser legítimo concluir que não se trata de uma apologia dos regimes de Mussolini e Hitler, ou pelo menos de forma assumida. Lendo o artigo na sua totalidade verifica-se que o autor, no essencial, lamenta que a "memória social" em torno dos regimes de Mussolini e Hitler tenha como que lançado um anátema sobre as ideias "nacionalistas", não forçosamente impregnadas de princípios fascistas e/ou nazistas.

Essa interpretação torna-se mais clara num dos últimos parágrafos do artigo que também passamos a transcrever: "As disfuncionalidades das sociedades e do mundo residem sempre na orientação moral dos regimes vigentes, nunca nas seculares tradições nacionais. Trocar o essencial pelo acessório é próprio de ignorantes ou, bem pior, de manipuladores mentais, arte em que a esquerda é exímia. Daí que a justíssima condenação do fascismo e do nazismo, de Mussolini e de Hitler - que o Chega nunca deixará de o fazer -, tenha de remeter para o falhanço moral desses regimes. É apenas esse falhanço que está em causa e jamais o falhanço do ideal nacionalista, pela mesma razão que um pai homicida não torna o ideal de família genocida".

Na medida em que a publicação sob análise indica uma hiperligação para o artigo em causa, optamos pela classificação de "verdadeiro, mas", pois a leitura do mesmo (o contexto) está facilmente acessível.

Não é a primeira vez que Mithá Ribeiro protagoniza uma verificação de factos do Polígrafo. Em novembro de 2019, quando ainda não tinha sido eleito como vice-presidente do Chega, publicou um livro (intitulado como "Um Século de Escombros - Pensar o futuro com os valores morais da Direita") que dedicou "a Donald Trump, Jair Bolsonaro, Nova Direita Europeia e Povo de Israel".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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