O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Um “TikToker” português revela que a “aterragem na Lua” afinal nunca aconteceu. Tem razão?

Sociedade
O que está em causa?
Num vídeo com origem no TikTok e partilhado viralmente em múltiplas redes sociais, um "influencer" português denuncia que a suposta alunagem da missão Apollo 11 da NASA, em 1969, "nunca aconteceu". E apresenta cinco "provas". O Polígrafo desmonta uma a uma.

“Mas, isto também já chegou a Portugal? É por isso que há pessoas a acreditar no Chega”, destaca-se num tweet publicado na rede social X no dia 12 de fevereiro. Nesse tweet é partilhado um vídeo, com pouco mais de um minuto e proveniente do TikTok, em que um influencer português defende que a “aterragem” (alunagem) na Lua “nunca aconteceu”.

Para justificar essa alegação são apresentadas cincoprovas” de que foi tudo uma farsa. Porquê? “Porque na altura havia uma Guerra Fria entre os EUA e a Rússia [URSS] e como a Rússia foi a primeira a ir ao espaço, os EUA tinham de ser os primeiros a ir à Lua e foi esta a ideia que eles arranjaram para ganhar a corrida”, alega-se no vídeo.

Quanto às evidências de que foi tudo encenado, o TikToker abre o vídeo “começando pela pegada de Neil Armstrong na Lua”.

A pegada que não condiz com a sola do sapato de Armstrong

De acordo o vídeo, que apresenta as imagens da pegada na Lua e do fato que Neil Armstrong utilizou, especificamente a sola do sapato, “dá para perceber que são bem diferentes”.

Esta seria assim a primeira das provas de que a aterragem na Lua foi encenada. No entanto, isso já foi explicado. Quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram na superfície da Lua, estavam a usar galochas lunares sobre os sapatos de pressão que, esses sim, tinham uma sola lisa diferente das galochas lunares.

Num artigo do jornal The New York Times, os designers dos fatos espaciais explicaram que as galochas lunares eram diferentes de forma a distribuir o peso dos astronautas enquanto exploravam a superfície da lua e sua textura desconhecida.

A rocha com a letra “C” inscrita

No vídeo é também partilhada uma imagem de uma rocha lunar trazida da missão. “Esta rocha foi supostamente encontrada na Lua e, se olhares bem, consegues ver um ‘C’ escrito na mesma, parecendo aquelas que vemos nos filmes…”, aponta-se.

Porque é que isto é um falso argumento? A letra ‘C’ não aparece nos negativos ou impressões originais da NASA. Este aparente “C”, sob grande ampliação, poderá ser um fio de cabelo ou fibra que contaminou uma reprodução posterior, como se explica num artigo do jornal The Guardian. No site do Museu Nacional do Ar e do Espaço, as imagens dessa mesma rocha estão disponíveis e não se vislumbra nenhum “C”.

As estrelas que não vemos e parece que “foi tudo feito num estúdio”

“Mas o mais estranho é que não vemos quaisquer estrelas nas fotos, parece mesmo que foi tudo feito num estúdio”, continua o vídeo.

Porque não são visíveis as estrelas? No momento em que foram captadas as imagens, os astronautas fotografavam objetos brancos brilhantes e bem iluminados. Ora, as câmeras fotográficas precisam de um tempo de exposição rápido e de uma abertura pequena, impossibilitando a captura de objetos de fundo que sejam mais fracos.

Segundo o fotógrafo do jornal The Guardian, Graeme Robertson, os astronautas “teriam usado uma velocidade de obturador muito rápida para que tudo no fundo ficasse preto.” Assim, seria impossível captar as estrelas nestas imagens.

A bandeira que oscila sem haver “ar ou oxigénio no espaço”

Alega-se ainda que, “se reparares também, a bandeira parecia estar a apanhar bastante vento quando nem existe ar ou oxigénio no espaço.” Mas a bandeira não estava a oscilar com o vento.

Ao observar a imagem, é notório que na borda superior da bandeira foi colocado um suporte estendido ao longo da bandeira de forma a ser possível hasteá-la.

A NASA projetou bandeiras especiais para os astronautas levarem consigo, ou seja, tinham uma haste horizontal no seu interior para fazê-las sobressair.

Buzz Aldrin disse que “foi tudo planeado”

Por fim a última alegada prova: “Até mesmo Buzz Aldrin que fazia parte da tripulação que foi à Lua disse que foi tudo planeado e que, na verdade, ninguém foi”.

Esta alegação foi inclusive já verificada pelo Polígrafo e é recorrente. Num momento de uma conferência realizada em 2015 na Universidade de Oxford, Reino Unido, com a participação de Buzz Aldrin, este foi questionado por uma mulher na plateia sobre qual foi o momento mais assustador da viagem espacial até à Lua, em 1969.

O astronauta – que se distinguiu na História como o segundo ser humano a pisar a superfície da Lua, logo após Neil Armstrong – respondeu da seguinte forma: “Mais assustador? Não aconteceu.”

Esta declaração gerou posteriormente várias teorias de que Aldrin tinha dito que a missão Apollo 11 nunca tinha acontecido, no entanto, isso não corresponde à realidade. Aldrin falou durante cerca de uma hora na referida conferência e em momento algum negou que a missão em que participou tenha realmente chegado à Lua.

Naquele instante em específico, referia-se a não ter acontecido qualquer “momento assustador” na viagem.

_______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque