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Um “sniper” canadiano morreu “20 minutos” depois de chegar à Ucrânia para combater?

Ucrânia
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Nos últimos dias, várias publicações nas redes sociais e até alguns órgãos de comunicação internacionais deram conta da morte de "Wali", o famoso "sniper" canadiano que se voluntariou para ir até à Ucrânia combater contra o exército russo. Segundo um utilizador no Facebook, o franco-atirador "durou 20 minutos" no campo de batalha. A informação é verdadeira?

“E aquelas notícias há uns dias atrás acerca do sniper mais mortal do mundo, que matava até 40 maus da fita por dia e estava a caminho da Ucrânia, onde prometia matar mais de 70 russos por dia? Lembram-se dos coraçõezinhos e das celebrações das legiões de deficientes mentais nos comentários, que agora é que ia ser? Ouviram mais alguma coisa acerca do assunto na CS [comunicação social] desde então? Eu também não, mas o rapaz chegou efetivamente à Ucrânia. Durou 20 minutos lá“, destaca-se numa publicação no Facebook, datada de 15 de março.

No post, são ainda partilhadas várias fotografias do atirador e um pequeno texto em inglês no qual se lê: “Sniper Canadiano Wali apelidado como o ‘mais mortífero do mundo’ está morto. Foi morto pelas Forças Especiais russas apenas 20 minutos depois de entrar em ação em Mariupol, na Ucrânia”.

O atirador de elite canadiano conhecido por “Wali” é um dos milhares de combatentes veteranos estrangeiros que responderam aos vários apelos do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, para participar na defesa “da Ucrânia, da Europa e do mundo”.

No passado, o famoso sniper já tinha lutado no Afeganistão e voluntariou-se para combater o Daesh. Segundo noticiaram vários órgãos de comunicação internacionais, o franco-atirador ultrapassa em larga escala a “produtividade” média de número de mortes que um sniper regular consegue provocar num dia – sete num qualquer cenário e dez na linha de frente de um combate. Já “Wali” consegue provocar 40 mortes por dia.

[twitter url=”https://twitter.com/nexta_tv/status/1501739564511240192″/]

Imediatamente após a sua chegada à Ucrânia, começou a ser disseminada nas redes sociais a informação de que o franco-atirador tinha morrido no campo de batalha. No entanto, nunca existiram provas reais do sucedido e a informação acabou por ser apontada como propaganda russa. A contrainformação que dava conta da morte do atirador chegou até a ser noticiada por vários jornais chineses.

Porém, tal como comprovado pelo próprio atirador, a informação é falsa. Nesta terça-feira, dia 22 de março, o sniper publicou, na sua página de Facebook, uma fotografia numa piscina infantil de bolas coloridas e desmentiu ter sido abatido pelas forças russas.

Estou vivo. Como prova, aqui estou eu na posição de um super atirador tático guerreiro de comando das forças especiais numa piscina de bolas. Os boatos de que eu morri em combate foram completamente ridículos. A verdade é que tomamos o terreno do inimigo além de lhe causarmos perdas. Infelizmente também perdemos camaradas, mortos e feridos”, afirma o canadiano, no post mencionado.

Em entrevista ao jornal canadiano “La Presse, “Wali” garante que desde que chegou à guerra esteve integrado numa unidade na frente de combate ucraniano e que foi alvo de ataques durante vários dias.”Vi uma bola de fogo passar por mim a três metros da minha cabeça. Foi surreal”, disse o atirador, que regressou “ileso” da sua primeira missão na região metropolitana de Kiev.

Na entrevista, o canadiano assinala o descontentamento relativo aos mitos criados à volta da sua presença no combate e aproveita para esclarecer que o “recorde” de tiro a longa distância – 3,45 km – não lhe pertence, mas sim a um colega da mesma nacionalidade.

Também o jornal “Toronto Star” partilhou um vídeo, no seu canal de Youtube, de uma entrevista realizada a “Wali” no dia 22 de março. Em tom de brincadeira, o sniper afirma ter sido “o último a ter conhecimento” da sua suposta morte.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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