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Um português pode pagar 12 vezes mais de IUC do que um espanhol pelo mesmo carro híbrido?

Economia
O que está em causa?
Um leitor do Polígrafo defende que os condutores de carros híbridos em Portugal pagam até 12 vezes mais impostos de circulação do que os seus homólogos espanhóis pelo mesmo veículo, apontando para as diferenças entre o IUC português e o IVTM espanhol como prova de uma "penalização fiscal" injusta. Será?
© Shutterstock

Numa mensagem enviada ao Polígrafo, um leitor condena a “penalização fiscal” dos condutores de carros híbridos em Portugal, sobretudo quando comparado o contexto português ao espanhol.

“Vejamos os números reais para um veículo híbrido ligeiro de passageiros (ex.: motor 1.8, de 2018), um carro que, teoricamente, o Estado deveria incentivar por ser mais ecológico. Em Portugal, o proprietário paga cerca de 210 euros de Imposto Único de Circulação (IUC). Em Espanha, pelo mesmo carro, o proprietário paga entre 17 e 69 euros de IVTM. Em cidades como Madrid ou Barcelona, devido ao selo ‘ECO’, o desconto chega aos 75%. Falamos de uma diferença que pode ser 12 vezes superior em Portugal”, aponta.

Impostos estruturalmente diferentes

Em declarações ao Polígrafo, Magda Canas, porta-voz da DECO PROTeste, considera que “não é possível afirmar genericamente que um português paga 12 vezes mais do que um espanhol pelo mesmo veículo híbrido”, uma vez que a comparação direta entre o IUC e o IVTM “não é linear” — tratam-se de tributos fiscalmente distintos na sua estrutura.

Enquanto o IUC é aplicado de forma uniforme em todo o território nacional, com critérios definidos a nível central (categoria do veículo, cilindrada, tipo de combustível e ano de matrícula), o IVTM tem natureza municipal. Ao Polígrafo, o Automóvel Club de Portugal (ACP) sublinha precisamente que “os valores pagos em Espanha dependem dos coeficientes municipais e das bonificações locais, o que dificulta comparações diretas entre os dois países”.

Híbridos sem redução no IUC

De acordo com o portal Impostos sobre os Veículos, os carros híbridos — sejam convencionais ou plug-in (PHEV) — pagam as mesmas taxas de IUC que os restantes ligeiros de passageiros, sem qualquer diferenciação fiscal.

Em Espanha, o enquadramento é diferente: a Lei das Finanças Locais permite aos municípios aplicar bonificações a veículos considerados menos poluentes, o que a RACE (Real Automóvel Club de Espanha) confirma ser prática corrente.

Quanto pagaria o híbrido do exemplo?

Para viaturas matriculadas em Portugal depois de 1 de julho de 2007, o IUC resulta da soma de duas componentes: cilindrada e ambiental. No caso descrito pelo leitor, um híbrido com motor de 1.8 e matrícula de 2018, aplica-se o terceiro escalão da componente cilindrada (mais de 1750 até 2500 cm³), no valor de 127,35 euros, ao qual acresce a componente ambiental de 65,15 euros. O total é ainda agravado em função do ano de matrícula.

Em Espanha, o IVTM calcula-se principalmente com base na potência fiscal do veículo e no município. Em Madrid, um ligeiro de passageiros pode pagar entre cerca de 20 e 224 euros anuais em 2026.

Bonificações em Madrid e Barcelona

Em Madrid, os veículos híbridos a gás ou bioetanol registados antes de 1 de janeiro de 2026 beneficiavam de uma redução de 75% nos primeiros seis anos após a matrícula. A partir de 2026, o município adoptou um sistema baseado no distintivo ambiental da DGT: veículos com selo “Cero” mantêm a redução de 75% sem limite temporal; os com selo “ECO” beneficiam da mesma redução, mas apenas durante seis anos.

Aplicado ao exemplo do leitor, um híbrido de 1800 cm³ e quatro cilindros, equivalente a 12,5 cavalos fiscais, o ACP estima, com base no portal do Ayuntamento de Madrid, um IVTM de cerca de 129 euros anuais, sem direito a qualquer bonificação: o veículo, matriculado em 2018, já teria ultrapassado o período de elegibilidade.

Em Barcelona, a redução de 75% aplica-se apenas a veículos totalmente elétricos e por um período de cinco anos; alguns veículos com selo “ECO” podem aceder a reduções inferiores.

Embora o imposto espanhol possa ser mais baixo do que o português em determinados casos, o exemplo apresentado não sustenta, por si só, a conclusão de que um condutor em Portugal paga “12 vezes mais” pelo mesmo veículo híbrido.

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Avaliação do Polígrafo:

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