O consumo de alimentos à base de insetos é bastante comum em algumas culturas orientais, mas os comprovados benefícios ambientais associados ao seu consumo têm trazido o tema para o centro do debate europeu em matérias de sustentabilidade alimentar. 

Estas foram algumas das razões que levaram a Comissão Europeia a autorizar, no mês de janeiro, a colocação no mercado, para consumo humano, de larvas da farinha (Alphitobius diaperinus) em várias formas - “congelada, em pasta, seca e em pó” -, bem como de um “pó parcialmente desengordurado” obtido a partir do chamado grilo-doméstico (Acheta domesticus).

A notícia causou alguma agitação nas redes sociais e originou até algumas teorias da conspiração. “Por isso, pode muito bem acontecer que, muito em breve, já estejamos todos a petiscar um saboroso pó de grilo sem sequer o sabermos”, lê-se numa publicação partilhada a 12 de novembro na rede social Facebook.

fb

Mas será que existe fundamento para dizer que os cidadãos europeus serão “obrigados”, pelas instituições europeias, a consumir produtos à base de insetos sem saberem que estão, de facto, a fazê-lo?

Não. Ao Polígrafo, fonte oficial da Comissão Europeia explicou, citando o “regulamento relativo aos novos alimentos” - como é o caso destes produtos à base de insetos -, estar a “garantir” que os mesmos são “seguros para os consumidores e devidamente rotulados”. Ou seja, os produtos feitos à base de insetos deverão sempre ser devidamente identificados como tal, de modo a que não existam dúvidas para os consumidores.

“Informação obrigatória sobre os géneros alimentícios deve estar disponível tanto para os alimentos pré-embalados como para os não pré-embalados. A indicação dos alergénios é obrigatória e deve ser fornecida aos consumidores sempre que os alimentos sejam colocados à venda pré-embalados ou sem pré-embalagem”, acrescentou a fonte citada.

A mesma instituição europeia vincou ainda, contrariando a informação que circula nas redes sociais, que os “consumidores são livres de decidir o que comem, com base numa informação clara e transparente que lhes é fornecida”.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto "EUROPA". O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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