"Ucranianos estão vendendo pelo eBay um tanque russo capturado durante a invasão. What a time to live!", escreve o autor de uma das muitas publicações encontradas pelo Polígrafo em várias redes sociais. Na imagem surge um suposto leilão da plataforma eBay, onde é possível ver a fotografia de um tanque e é pedido um valor de 400 mil dólares (360 mil euros) pelo veículo "usado mas totalmente funcional".

A mesma imagem surge numa outra publicação em inglês, que já conta com quase quatro mil partilhas, e que avisa que "o tanque terá de ser recolhido na Ucrânia". O anúncio é autêntico?

Não. Algumas publicações chegam a partilhar o link do alegado leilão, mas a página dá erro. A Reuters, a Associated Press e as plataformas de fact-checking Snopes e Lead Stories fizeram uma pesquisa no site do eBay e não encontraram qualquer anúncio de venda de tanques ou de leilões recentes. Além disso, uma pesquisa da imagem do anúncio no Google revela que a fotografia já foi publicada em 2010.

Um porta-voz do eBay disse à Reuters que não é permitido colocar anúncios deste género no site. "Não é possível vender tanques no eBay, pois tal iria contra as nossas regras sobre items militares", indicou o representante.

Apesar de o anúncio não ser verdadeiro, a Agência Nacional de Luta contra a Corrupção da Ucrânia (NAPC) publicou no site oficial, no dia 28 de fevereiro, um comunicado onde informa que tanques ou equipamento russo capturados não estão sujeitos a declaração e não serão taxados.

"Capturou um tanque russo ou material armado e está preocupado em declarar a posse? Mantenha a calma e continue a defender a Nação! Não há necessidade de declarar tanques e outros equipamentos russo capturados porque o seu custo não excede 100 salários (UAH 248,100)", lê-se na nota enviada à agência de notícias ucraniana Interfax.

"Tendo em conta a letra da lei, troféus de combate não estão sujeitos a declaração pelas seguintes razões: a sua aquisição não é o resultado de uma transação, mas da agressão a larga escala da Federação Russa a 24 de fevereiro de 2022 contra o estado independente e soberano da Ucrânia, numa continuação do insidioso ataque da Federação Russa lançado em 2014", conclui o texto.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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