Foi no dia 4 de julho, feriado nacional nos Estados Unidos, que Donald Trump aproveitou para afirmar que, ainda que o número de infetados com Covid-19 esteja a subir em alguns estados norte-americanos, não há muito a temer pois “99% dos casos são totalmente inofensivos.”

Já testámos mais de 40 milhões de pessoas”, garante o presidente dos Estados Unidos, continuando: “Ao fazê-lo descobrimos casos, 99% dos quais são totalmente inofensivos. São resultados que nenhum outro país irá mostrar, porque nenhum outro país tem testagem como nós temos – nem em termos dos números, nem em termos da qualidade”.

Será então verdade que em 99% dos infetados não se desenvolvem consequências nocivas? Verificação de factos.

As falhas dos dados revelados por Donald Trump começam logo com o número de testes que tinham sido feitos até ao momento em que o presidente dos EUA se dirigiu ao país. Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano (CDC), foram realizados até ao dia 3 de julho 36,3 milhões de testes e não mais de 40 milhões como foi anunciado pelo líder da Casa Branca.

As falhas dos dados revelados por Donald Trump começam logo com o número de testes feitos que tinham sido feitos até ao momento em que o presidente se dirigiu ao país.

Já segundo o The COVID Tracing Project, um projeto voluntário criado por jornalistas que recolhe os dados de todos os estados e os agrega, até esse mesmo dia, tinham sido feitos apenas 34,3 milhões de testes. Este valor aponta para que o presidente norte-americano tenha feito um arredondamento ainda mais rebuscado.

Desses testes, 2,8 milhões acabaram por ser positivos. Mais de 122 mil pessoas morreram nos EUA. A taxa de letalidade da doença no país localiza-se nos 4,4%, valor que contraria a afirmação que apenas 1% dos infetados desenvolve complicações da doença.

Além das vítimas mortais, há ainda que contar com aqueles doentes que desenvolvem complicações que só são possíveis de controlar com acompanhamento médico e hospitalização. É o caso, por exemplo, dos pacientes que entram em falência pulmonar. A mesma agência governamental para o controlo de doenças publicou, em junho, um estudo que aponta para que, entre 22 de janeiro e 30 de maio, 14% dos pacientes infetados com Covid-19 tenham sido hospitalizados e para que 2% desses doentes tivessem sido admitidos numa unidade de cuidados intensivos. Atualmente, e segundo os dados do The COVID Tracing Project, a taxa de internamento estará nos 4%.

Estudo aponta para que, entre 22 de janeiro e 30 de maio, 14% dos pacientes infetados com COVID-19 nos EUA tenham sido hospitalizados e para que 2% desses doentes tivessem sido admitidos numa unidade de cuidados intensivos.

O mesmo acontece a nível mundial, onde já se confirmaram mais de 12,5 milhões de casos, segundo os dados da Organização Mundial de Saúde. Destes resultaram mais de 561 mil mortes (dados obtidos às 18h40 de domingo, 12 de julho), o que implica uma taxa de legalidade global de 4,5%.

É errado dizer que a doença causada pelo novo coronavírus é quase inofensiva e que só em 1% dos casos é que se revelam complicações. A gravidade da Covid-19 fica comprovada não só olhando para os números norte-americanos, nos quais Donald Trump se baseou para prestar tal declaração, mas também pelos dados totais da pandemia.

Avaliação do Polígrafo:

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