"O veredicto do tribunal condena 75 indivíduos a prisão perpétua, apreende os seus bens, desintegra as suas empresas e proíbe, legalmente, o fabrico, venda ou administração das suas vacinas contra a Covid-19 como 'produtos de genocídio médico e assassinato em massa'", afirma-se num comunicado que, alegadamente, divulga uma sentença emitida por um tribunal internacional.

A imagem desta decisão judicial está a ser partilhada nas redes sociais desde há vários meses. No respetivo texto lê-se que este "é um golpe contra a corporatocracia da Covid-19", ao condenar dirigentes da Pfizer, GlaxoSmithKline, China e Vaticano por "crimes contra a humanidade".

Na lista de condenados, há nomes bem conhecidos como Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, o presidente chinês Xi Jinping e a rainha de Inglaterra, Isabel II. Personalidades que têm sido envolvidas em diversas teorias da conspiração que o Polígrafo já desmentiu em várias ocasiões.

E a história repete-se. Não existem evidências de que as pessoas mencionadas nesta "sentença" tenham sido presas ou condenadas por crimes relacionados com a pandemia, ou as vacinas desenvolvidas para o seu combate. Além disso, o Tribunal Internacional de Justiça de Direito Comum, assim designado no documento em análise, não é reconhecido como um tribunal internacional oficial. O "CheckYourFact", que verificou este conteúdo em fevereiro, revelou que esta unidade judicial não consta da lista de tribunais internacionais do departamento de Justiça dos EUA.

Aliás, documentos como aquele que está a ser analisado circulam nas redes sociais há quase 10 anos. Está comprovado que o tribunal em causa não existe e que estas "decisões" são da autoria de Kevin Annett, um teórico da conspiração canadiano. Em 2015, a "Snopes" desmentiu a alegação de que este tribunal revelou e sancionou o envolvimento da realeza europeia em "grupos de caça humana". Antes disso, em 2013, a mesma organização de fact-check já tinha classificado como falsa a informação de que o Papa Bento XVI tinha renunciado por estar envolvido numa rede de tráfico de crianças, informação que era divulgada através de um documento que citava a unidade judicial falsa.

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