Um recorte de um artigo do jornal "Expresso" e uma publicação da deputada municipal bloquista, Beatriz Gomes Dias, revelam a suposta "falta de coerência do Bloco de Esquerda quanto aos transportes públicos" gratuitos.

Juntos na mesma publicação, é possível verificar a decisão noticiada de que o partido tinha retirado a "proposta de transportes gratuitos em Lisboa para contribuir na iniciativa de Moedas" e a queixa de Gomes Dias relativamente ao autarca que não terá agendado "a discussão da nossa [do Bloco de Esquerda] proposta".

Afinal, o que surgiu primeiro? A decisão dos bloquistas ou a queixa da deputada municipal? E qual foi a principal razão para o Bloco ter deixado cair a proposta de gratuitidade dos transportes?

Importa notar desde logo que o post de Beatriz Gomes Dias foi divulgado durante a manhã de dia 14 de abril, ao passo que a notícia do "Expresso" foi publicada na noite do mesmo dia. Assim, a ordem pela qual as imagens estão dispostas pode induzir o leitor em erro, fazendo-o acreditar que os bloquistas queriam que Carlos Moedas agendasse a discussão de uma proposta da qual os próprios abdicaram.

Ao Polígrafo, fonte oficial do Bloco garante que a iniciativa do partido sobre transportes públicos gratuitos foi apresentada a 21 de abril de 2021, há cerca de um ano, "aquando da apresentação da candidatura da Beatriz Gomes Dias". Alguns meses depois, a 13 de dezembro de 2021, "o Bloco formalizou essa proposta", enviando-a a Carlos Moedas e "esperando o seu agendamento de acordo com o regimento numa das próximas três reuniões da Câmara Municipal de Lisboa".

No entanto, aponta o partido, "Carlos Moedas impediu o agendamento da proposta e passaram mais de 15 reuniões, o que suscitou vários protestos formais da vereadora Beatriz Gomes Dias por manifesto incumprimento das regras democráticas". Por esse motivo, a 14 de abril, "a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins e a vereadora do Bloco em Lisboa chamaram de novo à atenção de Carlos Moedas para o incumprimento do agendamento da proposta do Bloco e para o atraso na medida".

Tendo em conta que a proposta do Executivo de Moedas "já continha a gratuitidade para mais novos e mais velhos, o Bloco decidiu retirar a sua proposta e propor alterações à de Carlos Moedas, manifestado o espírito de construção e diálogo que sempre pautou a ação do Bloco".

Ainda assim, e na tarde desse mesmo dia, Carlos Moedas "apresentou proposta própria agendando a discussão de ambas as propostas [do Executivo e do Bloco de Esquerda] para o dia 21 de abril". Tendo em conta que a proposta do Executivo de Moedas "já continha a gratuitidade para mais novos e mais velhos, o Bloco decidiu retirar a sua proposta e propor alterações à de Carlos Moedas, manifestado o espírito de construção e diálogo que sempre pautou a ação do Bloco".

Estas propostas de alteração foram apresentadas a 21 de abril e incluíam exigências como: gratuitidade "ampliada a estudantes do superior que vivam e estudem em Lisboa ainda que não tenham residência fiscal no concelho, o que permite aos alunos com bolsa aceder à gratuitidade dos transportes públicos" e ainda "o alargamento da gratuitidade para todos os jovens até aos 24 anos, para pessoas com deficiência e pessoas desempregadas" no orçamento da Câmara para 2023. Bloco viu a sua proposta de alteração chumbada pelos votos contra da direita e pela abstenção do PS e PCP.

Bloco "não desistirá de ampliar a gratuitidade dos transportes e o investimento nas infraestruturas para melhorar o sistema e afirmamos a importância deste avanço na mobilidade em Lisboa, sendo uma medida essencial para o combate às alterações climáticas e muito importante num contexto de subida dos encargos das famílias".

Fonte do partido garante ainda que o Bloco "não desistirá de ampliar a gratuitidade dos transportes e o investimento nas infraestruturas para melhorar o sistema e afirmamos a importância deste avanço na mobilidade em Lisboa, sendo uma medida essencial para o combate às alterações climáticas e muito importante num contexto de subida dos encargos das famílias".

Avaliação do Polígrafo: Descontextualizado

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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