Circula nas redes sociais uma imagem relativa à Covid-19 que supostamente pretende explicar “porque não se realiza teste de cura” e que apresenta os logotipos do Governo, do Serviço Nacional de Saúde e da Direção de Saúde.

Segundo a publicação, “a partir do 8º-10º dia de doença, a transmissão do vírus é quase nula nos assintomáticos e doentes ligeiros ou moderados”. Além disso, alega-se, “mesmo que existam partículas do vírus detetadas nos testes, isso não significa que exista transmissão do vírus para outras pessoas”. 

alta médica

É verdade que os doentes assintomáticos têm pouca probabilidade de transmitir o vírus a partir do décimo dia de infeção? A publicação é oficial?

Esta imagem faz parte de uma série de perguntas e respostas que a Direção Geral da Saúde (DGS) partilhou aquando da última atualização feita à Norma 004/2020, que estabelece os procedimentos a adotar na abordagem ao doente com suspeita de infeção pelo novo coronavírus. 

Até então, quer um doente fosse assintomático ou tivesse sintomas agudos, o fim do período de isolamento e consequente alta médica eram ditados por um teste negativo. A 14 de outubro, a entidade liderada por Graça Freitas definiu que, “no caso dos doentes sintomáticos com Covid-19 com doença ligeira ou moderada, o isolamento termina ao fim de 10 dias desde o início dos sintomas, desde que não estejam a utilizar medicamentos antipiréticos e apresentem uma melhoria significativa dos sintomas durante três dias consecutivos”. Para os doentes assintomáticos, a mesma norma dita que “o fim das medidas de isolamento é determinado 10 dias após a realização do teste laboratorial que estabeleceu o diagnóstico de Covid-19”.

Passou então a não ser necessário um chamado “teste de cura” que ditaria, como explica ao Polígrafo o virologista Celso Cunha do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, “que não foi detetado material genético do vírus e que provavelmente, tendo em conta esse resultado laboratorial, o doente já não é portador do mesmo”. Estes testes são os mesmos utilizados no diagnóstico, os PCR - conhecidos também como “testes da zaragatoa”. 

A 14 de outubro, a entidade liderada por Graça Freitas definiu que, “no caso dos doentes sintomáticos com Covid-19 com doença ligeira ou moderada, o isolamento termina ao fim de 10 dias desde o início dos sintomas, desde que não estejam a utilizar medicamentos antipiréticos e apresentem uma melhoria significativa dos sintomas durante três dias consecutivos”. Para os doentes assintomáticos, a mesma norma dita que “o fim das medidas de isolamento é determinado 10 dias após a realização do teste laboratorial que estabeleceu o diagnóstico de Covid-19”.

E como é que se justificada esta alteração? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o risco de transmissão não está necessariamente ligado à presença do vírus no organismo, mas depende também de outros fatores: “se o vírus está ou não capaz de se replicar, se o paciente tem sintomas, como tosse, que pode espalhar gotículas infeciosas, e até fatores comportamentais e ambientais associados com o doente”. 

Além disso, ainda de acordo com a explicação da OMS, “a carga viral no trato respiratório superior atinge o pico na primeira semana de infeção, diminuindo gradualmente ao longo do tempo”. Deste modo, “cinco a dez dias após a infeção, o indivíduo infetado começa a produzir anticorpos neutralizantes que reduzem o risco da transmissão do vírus.” 

Como sublinha a DGS, a comunidade científica chegou então à conclusão que a partir do décimo dia de doença, a carga viral de um doente assintomático é insuficiente para que este infete outras pessoas. Mesmo que ainda existam partículas do vírus no seu organismo, ou seja, mesmo que testasse positivo nessa altura, a transmissão tinha poucas probabilidades de acontecer. 

Uma opinião partilhada por Celso Cunho, que afirma que, “à luz do que hoje se sabe sobre o período mais provável de transmissão de vírus por doentes assintomáticos ou com sintomas ligeiros, a probabilidade destes transmitirem o vírus a outra pessoa é extremamente baixa a partir do décimo dia”. 

Desta forma, é correto afirmar que a transmissão do novo coronavírus é “quase nula” nos assintomáticos a partir do décimo dia, motivo pelo qual a Direção Geral de Saúde retirou a obrigatoriedade do teste de cura nestas para estes pacientes. 

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Avaliação do Polígrafo:

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