O vídeo começou a circular nas redes sociais, nomeadamente no Twitter, pouco depois da intervenção de Maria Vieira na reunião da Assembleia Municipal de Cascais, marcada para o final do dia 29 de novembro, última segunda-feira.

"Só queria dizer que a Maria Vieira falou na Assembleia Municipal (...) Sem comentários", lê-se nos dois tweets divulgados pelo mesmo utilizador, que partilha o excerto do vídeo que inclui o discurso da deputada municipal pelo Chega em Cascais.

Depois de cumprimentar todos os presentes, Maria Vieira começou por dizer que "quanto ao voto de saudação apresentado pelo Bloco de Esquerda sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, claro que o Chega teve que votar a favor, como é óbvio".

A atriz, figura próxima de André Ventura, não deixou no entanto de salientar que o Chega "é contra a violência, seja ela exercida contra as mulheres, contra os homens, contra os magros, contra os gordos, contra os baixos... Portanto, todos nós somos seres humanos e somos contra qualquer tipo de violência e seja com quem for".

É depois deste discurso inicial que Maria Vieira alerta para uma parte específica do texto redigido pelos bloquistas: "Quanto a uma parte do texto, em que diz que as mulheres pobres e as mulheres lésbicas, bissexuais, as mulheres trans, as mulheres não-binárias - que não sei o que isso é, nem quero saber -, devo dizer que a nossa orientação, a orientação sexual das mulheres, só a nós diz respeito. E quanto às transexuais, o homem nasce homem e a mulher nasce mulher."

Terminada a intervenção, as palavras de Maria Vieira ecoaram nas redes sociais, com vários comentários que criticam a deputada municipal: "Ao fim de poucos segundos já estava a espumar. De raiva e de riso pela voz do batatinha", "Resumo: podem dizer o que quiserem de mulheres trans, mas de baixinhas ahn ahn", "É este o tipo de apoiantes do partido que fará uma coligação com o PSD e que governará o nosso país nos próximos quatro anos?".

A posição de Maria Vieira relativamente à transexualidade não representa um desvio relativamente àquela que é a linha do partido que representa. Também André Ventura, presidente do Chega, referiu já em setembro de 2019, à revista Visão, que “o dinheiro dos contribuintes não pode ser gasto em leviandades como a mudança de sexo ou o aborto”.

Nesse sentido, também em janeiro de 2020 foi noticiado que o partido Chega queria retirar do Serviço Nacional de Saúde as cirurgias e tratamentos hormonais de mudança de sexo, colocando como uma exceção os casos de hermafroditismo. Segundo Ventura, os legisladores têm feito “erradas opções na administração das divisas de que o Estado neste momento dispõe”.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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