Em imagens divulgadas nas redes sociais, vê-se uma estrutura de madeira destruída e caída sobre o mar. Na legenda, compõe-se o cenário com a descrição: “Cascais gastou cerca de €25.000 neste posto de vigia que durou uns espantosos 22 dias.”
Acrescenta-se ainda informação sobre um dos responsáveis por este projeto, referindo que o vice-presidente da Câmara de Cascais que assinou a obra é agora ministro das Infraestruturas.
Apesar de partilhado durante as tempestades que deixaram várias infraestruturas estragadas, este assunto não é novo. As imagens começaram a circular, pela primeira vez, em março do ano passado, por iniciativa do então deputado do Chega António Pinto Pereira. Tal como agora, o território português estava a ser afetado por condições climatéricas adversas, mais especificamente pela tempestade Martinho, que deixou consequências em particular nas zonas costeiras.
Em resposta ao Polígrafo, a autarquia esclareceu desde logo que a situação retratada no vídeo – e nas imagens que voltaram agora a circular – era real e resultava de uma “forte descarga de águas pluviais, conjugada com as terríveis condições do mar”, que acabou por arrastar uma torre secundária da praia de Carcavelos, ou seja, de menor dimensão.
Esta torre era parte de um conjunto de nove torres distribuídas por quatro praias do concelho de Cascais, parte de um projeto vencedor do Orçamento Participativo de 2021. “O objetivo destas torres é facilitar o trabalho de vigilância dos nadadores-salvadores e dar, simultaneamente, mais segurança à população”, esclareceu a autarquia à data.
Agora, em fevereiro de 2026, foram tomadas medidas de prevenção. A autarquia explicou, em declarações ao Polígrafo, que, na praia do Guincho, a torre colocada mais a sul foi retirada e colocada num local mais afastado do mar, para evitar que as ondas pudessem causar danos à estrutura.
Essa decisão foi preventiva, estando “todas as torres intactas”, garantiu a fonte da Câmara Municipal de Cascais. As atenções têm estado também na torre colocada na praia da Cresmina que “esteve em risco”, porque a estrutura só podia ser movida com o auxílio de uma máquina que, dadas as condições do espaço envolvente, não conseguia passar no local. No entanto, “os nadadores salvadores estão confiantes de que nada vai acontecer” ao equipamento.
Olhando aos custos do projeto, a informação agora veiculada nas redes sociais também não é verdadeira. O projeto na totalidade tinha um valor global de cerca de 218 mil euros, com a torre secundária que foi na altura arrastada pelo mar a custar 7.976 euros.
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Avaliação do Polígrafo:
