"Quando se perguntarem por que raio o CDS-PP chegou a este estado, está aqui um dos exemplos", comenta-se no mesmo tweet. Em causa está uma publicação de Francisco Mota, em que o ex-líder da Juventude Popular e atual Conselheiro Nacional do CDS-PP manifesta descontentamento perante a nomeação de Pedro Adão e Silva para comissário das comemorações dos 50 anos do 25 de abril.

"Um país a saque com o alto patrocínio de Marcelo Rebelo de Sousa. Eles querem mais cinco anos, seis meses e 24 dias para continuar a celebrar o seu abril. O abril dos interesses, das falsas liberdades, da corrupção, do poder instalado e da ditadura de opinião. O abril da vergonha e do socialismo. Portugal não precisa mais deste regime", lê-se no post de Mota.

"Está na hora de acordar, não precisamos de mais um único dia para cumprir novembro de 75. Juntemos os patriotas, os de ontem e os de hoje, e sob a liderança das Forças Armadas, tomemos o Palácio de Belém e o Palácio de S. Bento. Lutemos pela liberdade das nossas famílias e da nossa amada Pátria. Portugal precisa de nós, não precisa desta gentalha", concluiu.

As palavras de ordem não tardaram a ser condenadas por vários internautas, por alegadamente incentivarem a um golpe de Estado, punível por lei com pena de prisão de um a oito anos.

O Polígrafo contactou o próprio Francisco Mota que refuta tais acusações e garante que não estava a "incitar absolutamente a nenhum golpe de Estado. Quem quiser fazer leituras enviesadas que as faça".

Embora convicto de que não tem que "justificar o que quer que seja", Mota voltou às redes sociais depois das críticas, alegando que o intuito da publicação seria "recordar os políticos e a sociedade civil que foi a falência de um regime podre, ditatorial e sem perspectivas de futuro que levou a que no 25 de abril conquistássemos a liberdade e no 25 de novembro a democracia".

"Há muito que digo que está em curso uma revolução ideológica com um objetivo único: instalar o modelo comunista em Portugal. A pandemia foi apenas o motivo para que a locomotiva iniciasse a sua marcha. Nunca o país esteve verdadeiramente livre, mas hoje está nas mãos de uma extrema-esquerda e de um socialismo que ditará pobreza, miséria e fome ao nosso povo", denuncia.

As acusações dirigidas a Mota têm por base os artigos 325.º e 326.º do Código Penal, nos quais se determina, respetivamente, que aquele que "por meio de violência ou ameaça de violência, tentar destruir, alterar ou subverter o Estado de Direito constitucionalmente estabelecido é punido com pena de prisão de três a 12 anos", assim como quem "publicamente incitar habitantes do território português ou forças militares, militarizadas ou de segurança ao serviço de Portugal à guerra civil ou à prática da conduta referida no artigo anterior é punido com pena de prisão de um a oito anos".

Em declarações ao Polígrafo, o antigo líder da Juventude Popular de Braga assegura que se referia ao 25 de novembro e não ao 25 de abril. "O 25 de abril é que foi um golpe de Estado que a esquerda comemora constantemente mas que depois não valoriza enquanto golpe de Estado. Portanto, há o golpe de Estado do bem e o golpe de Estado do mal", argumenta.

Para Francisco Mota, "o 25 de abril é que foi um golpe de Estado que a esquerda comemora constantemente mas que depois não valoriza enquanto golpe de Estado. Portanto, há o golpe de Estado do bem e o golpe de Estado do mal".

"Quem não conhece a História, e o povo português é muito pouco culto, pode fazer essas leituras. Eu estou de consciência limpa, numa certeza de que é preciso uma revolução cultural em Portugal. O que eu afirmo aqui é uma sequência cronológica em que eu falo do 25 de abril e do novembro de 1975. E esse não foi um golpe de Estado. O que eu estou a dizer é que foram os patriotas aqueles que impediram que acontecesse uma colonização do comunismo em Portugal. E nós estamos a viver um período de colonização do regime comunista", afirma.

Por considerar ter sido mal interpretado, Mota explica que quando diz ser necessário "tomar Belém e S. Bento", está a referir-se à "responsabilização do poder" e a lembrar "a esses senhores que foi precisamente na falência de um regime que estava podre, que não tinha perspectiva de futuro, um regime ditatorial que acabou por cair e que caiu nas mãos dos democratas. É exatamente isso que eu estou a lembrar".

O problema não está, considera Mota, naquilo que escreveu, mas antes "no facto de as pessoas não conseguirem perceber o que ali está". Essa interpretação "diz muito, mas muito, sobre o quanto as pessoas estão impreparadas. Diz muito sobre o quanto as pessoas são desconhecedoras".

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Avaliação do Polígrafo:

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