“Testou positivo para Coronavírus? Para qual Coronavírus?”, pode ler-se numa publicação que se tornou viral no Facebook. No texto, coloca-se em causa os testes PCR - os testes da zaragatoa - que têm sido realizados para detetar o SARS-CoV-2, afirmando que “no corpo humano podem existir mais coronavírus” e que estes procedimentos laboratoriais “detetam qualquer um deles”, mesmo os que causam “constipações comuns”. 

testes PCR questionados

O autor do post conclui que este é o motivo para “tantos e tantos falsos positivos aparecerem” e garante que para se confirmar um resultado positivo é apenas necessário que exista no corpo um rasto de um dos vírus desta família. “Mesmo que não seja recente porque deteta os restos virais”, finaliza.

Estas afirmações têm alguma fundamentação científica? Verificação de factos. 

Em declarações ao Polígrafo, Celso Cunha, virologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, explica que, ainda que existam muitos testes PCR, os que são utilizados para encontrar "o genoma do SARS-CoV-2 foram desenhados para o detetar e são absolutamente específicos para este vírus em concreto”. 

Ou seja, os testes pesquisam o material genético do SARS-CoV-2, o novo coronavírus que causa a Covid-19, na amostra colhida pela zaragatoa e nada mais. Na prática, estes “não são capazes de detetar os outros coronavírus sazonais, que causam vulgares constipações, nas condições experimentais que são utilizadas, muito menos qualquer outro vírus que pertença a uma família diferente dos coronavírus”, sublinha o especialista. 

Os testes são também pouco capazes de identificar porções desse genoma, os tais “restos virais” que ficam no corpo “mesmo que [a infeção] não seja recente”. “Devo dizer que o material genético fora da proteção que lhe conferem as proteínas estruturais do vírus é bastante instável e tem tendência a degradar-se rapidamente. Por isso, a deteção desses ‘restos’ é possível, mas pouco provável”, conclui Celso Cunha. 

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia, também já tinha explicado ao Polígrafo que não existe a possibilidade de se estar "a diagnosticar Covid-19 que afinal era gripe”. Os testes PCR “identificam material genético do vírus. Não quer dizer que entre outros vírus não possa haver uma reação cruzada, mas tendencialmente são testes muito específicos", sublinhou.

No final de julho, o Polígrafo analisou uma publicação alegando (falsamente) que a margem de erro dos testes à Covid-19 é superior a 80%. Na verdade, a taxa de sensibilidade dos testes é elevada, mesmo que seja impossível garantir sucesso nos resultados a 100%. Defeitos nos testes, contaminação ou má recolha de amostragens podem alterar os resultados do diagnósticos. E nenhum destes elementos está relacionado com a margem de erro original do teste.

Pode concluir-se que é falso que os testes PCR desenhados para a deteção do novo coronavírus originem muitos falsos positivos, resultados que estariam relacionados com o facto de estes exames laboratoriais alegadamente detetarem igualmente os vírus responsáveis, por exemplo, pela gripe sazonal. 

_________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network