As redes sociais estão repletas de conteúdos contra o uso de máscaras no âmbito da pandemia de Covid-19. Recentemente surgiu um novo vídeo que pretende mostrar que as máscaras não permitem inspirar oxigénio suficiente. Os testes são conduzidos por Nino Vitale, membro da Câmara dos Representantes de Ohio, EUA, eleito pelo Partido Republicano, o qual utiliza um medidor de gases para identificar os níveis de oxigénio quando se estão a usar máscaras.

“Utilizando o monitor de gases GX-2009, um teste de três diferentes máscaras mostra que os níveis descem abaixo do valor mínimo de segurança aprovado pela Occupational Safety and Health Administration (OSHA) de 19,5% em menos de cinco segundos”, indica-se no texto de descrição do vídeo.

Ohio máscaras

O político republicano conta com a participação de três jovens para a demonstração. O aparelho é colocado na parte de dentro das máscaras utilizadas pelos estudantes e, em cada uma das experiências, o aparelho emite um sinal sonoro de alarme. Vitale conclui então que a utilização de máscaras é perigosa.

No entanto, as conclusões destes testes são enganadoras. Antes de mais, quando se mede a quantidade de oxigénio presente no momento da expiração é expectável que o aparelho detecte um valor abaixo de 19,5% de oxigénio. Quando inspiramos, o nosso organismo recebe cerca de 21% de oxigénio, mas ao expelirmos o ar, este contém cerca de 16% de oxigénio e 4% de dióxido de carbono. Esse ar passa através das máscaras e é renovado aquando da inspiração.

Além disso, como explicou John Villalovos, engenheiro da RKI (a empresa que produz os medidores GX-2009), em declarações à "Lead Stories" (plataforma de fact-cheking norte-americana), ao colocar o aparelho à frente das vias respiratórias, este impede a passagem do ar, uma vez que, ao contrário das máscaras, não é permeável.

“Normalmente, claro, o ar expelido vai para fora em segurança através do material da máscara e a pessoa inspira ar fresco… Mas quando colocamos uma obstrução ali, como um instrumento daquele tamanho, depois, claro, estamos a aprisionar o ar expelido”, explica o engenheiro.

Villalovos identificou mais falhas nos testes realizados por Vitale. “Os sensores que usamos são destinados à monitorização de gases. São destinados a amostras da atmosfera desde 30 segundos a um ou dois minutos… Os sensores não vão ser tão rápidos a mostrar a verdadeira ação e conteúdo do ar que entra e a redução do oxigénio que sai”, esclarece.

No final do vídeo, Vitale surge a falar para o aparelho, referindo que este tem sensores no topo, nos lados e na parte da frente do equipamento, quando na verdade os sensores estão localizados na parte inferior, como se pode ver no manual do aparelho (mais precisamente na página 9). Isso significa que quando o político republicano está a falar para o medidor, este não está a captar diretamente o ar expelido, como ele afirma. Ainda assim, tal não quer dizer que afete a medição feita, como se alerta no artigo da "Lead Stories".

Não é a primeira vez que Vitale se insurge publicamente contra o uso de máscaras para proteger a população do novo coronavírus. Recentemente, o político republicano recusou o uso de máscaras por motivos religiosos. “Um dos  princípios [dos EUA é que nós somos todos criados à imagem e semelhança de Deus. Essa imagem é vista sobretudo no nosso rosto. Eu não vou usar uma máscara”, afirmou.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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