"Vá, somos nós que gostamos de teorias da conspiração, somos negacionistas, somos maluquinhos... Mas eu não me importo com a conotação que me dão. Quero mesmo é que me expliquem (…). Um teste para 'controlo positivo' que até traz o símbolo de perigo biohazard (ou seja, tem um vírus ou outro) e o outro teste negativo. Expliquem por favor", lê-se numas das publicações detectadas pelo Polígrafo.

Confirma-se que estes testes à Covid-19 têm resultados pré-determinados de positivo ou negativo?

Os testes em causa foram produzidos pela farmacêutica Abbott e são classificados como testes de antigénio, ou seja, detectam anticorpos produzidos pelo organismo como resposta à infeção pelo SARS-CoV-2. No entanto, a imagem mostra kits de cotonetes de controlo fornecidos pelo laboratório, para que os profissionais de saúde possam interpretar melhor os resultados e verificar se os testes são funcionais.

Questionado pelo Polígrafo, João Júlio Cerqueira, médico especialista de Medicina Geral e Familiar, explica que na imagem se pode ver "um controlo positivo, em que a zaragatoa adicionada ao reagente e usada na cassete irá fazer com que o teste dê positivo (daí a marca do risco biológico)". Por outro lado temos "o controlo negativo, em que a zaragatoa adicionada ao reagente e usada no teste cassete irá dar negativo". O especialista sublinha que "são zaragatoas para a realização de testes de qualidade das cassetes" e não para "utilização na população geral".

De facto, no folheto informativo dos testes em questão ("Panbio Covid-19 Ag Rapid Test Device") indica-se que os kits de controlo são utilizados "para verificar a capacidade do utilizador de realizar o teste de maneira adequada e interpretar os resultados. O controlo positivo produzirá um resultado de teste positivo e foi fabricado para produzir uma linha de teste visível (T). O controlo negativo produzirá um resultado de teste negativo". A utilização dos testes de controlo tem como objetivo assegurar que "os testes reagentes estão a funcionar" e que estão a ser "manuseados corretamente".

Questionada pela plataforma de verificação de factos da AFP, fonte oficial da Abbott explicou que "cada kit de teste contém um esfregaço positivo e um esfregaço negativo para garantir que o teste está a funcionar corretamente". De resto, confirmou que "não são utilizados ​​durante os testes realizados em pacientes". Também não há risco de infeção, uma vez que a proteína recombinante não é contagiosa, segundo garantiu a mesma fonte à "Istinomer", plataforma sérvia de verificação de factos.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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