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Portugal tem hoje “os mesmos caminhos-de-ferro que em 1893” com uma “redução de 140 quilómetros nos planos ferroviários de Sócrates”?

Sociedade
O que está em causa?
No Facebook, alega-se que as vias férreas portuguesas não sofreram qualquer evolução desde 1893. Aliás, houve até uma redução de "140km da rede" com os planos ferroviários de José Sócrates e de António Costa. Será possível?
© Estela Silva/Lusa

Um post partilhado no Facebook a 20 de abril lamenta a fraca evolução de Portugal no que respeita aos caminhos-de-ferro: desde 1893, garante-se, a extensão manteve-se a mesma, com uma “redução de 140km da rede nos planos ferroviários de [José] Sócrates e [António] Costa”. É verdade?

Dados organizados e disponíveis no repositório da Universidade do Porto revelam que, em 1893, Portugal dispunha de um total de 2323 quilómetros de rede ferroviária. Ao contrário do que pode sugerir a publicação em análise, este número não estagnou. Aliás, cresceu bastante até atingir a atual extensão de 3621,6 quilómetros. Apesar disso, só 70% da rede é que se encontra em exploração, o que corresponde a 2527 quilómetros, praticamente o mesmo número registado no final do século XIX.

Segundo uma notícia do jornal “Público“, que parece aliás ser a fonte para esta publicação, só entre 1988 e a atualidade “foram encerrados 1664 quilómetros de linhas férreas”, o que significa que a redução mencionada – 140 km – corresponde apenas à orquestrada por José Sócrates, em 2006, enquanto Primeiro-Ministro. Nessa altura, quando o governante pretendia avançar com a linha de alta velocidade Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, o resultado foi o pior possível: o “encerramento do que restava das linhas do Tâmega, Corgo e Tua, bem como o fecho da linha Figueira da Foz-Pampilhosa”, aquilo a que o “Público” apelida de uma “amputação” de mais de 140 quilómetros.

Mas desengane-se se pensa que os cortes ficaram por aqui. Pedro Passos Coelho continuou o legado e fechou pelo menos 133 quilómetros (correspondentes às linhas de Beja-Ourique e de Torre das Vargens-Marvão). Em suma: é verdade que Portugal tem hoje os mesmos caminhos-de-ferro que tinha no final do século XIX, mas a redução mencionada no “post” esconde que, desde 1988, a supressão das linhas envolveu mais de 1500 quilómetros ao longo de vários Governos.

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Avaliação do Polígrafo:

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