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Taxa de pobreza em Portugal “subiu 17%” no período de governação de António Costa?

Política
O que está em causa?
A imagem com duas estatísticas supostamente representativas do legado de António Costa no cargo de Primeiro-Ministro - "taxa de pobreza subiu 17%" e "sem-abrigo em quatro anos aumentaram 78%" surgiu no X/Twitter em dezembro de 2023, mas entretanto foi reativada em plena campanha eleitoral através de múltiplas partilhas. Verificação de factos.

António Costa a caminhar, sorridente, nas arcadas do Terreiro do Paço, indiferente às pessoas sem-abrigo que dormem no chão. É notoriamente uma colagem, mas o que realmente importa verificar na imagem que está a ser difundida no X/Twitter (e demais redes sociais), em período de campanha eleitoral, é o texto com duas estatísticas supostamente representativas do legado de Costa no cargo de Primeiro-Ministro – “taxa de pobreza subiu 17%” e “sem-abrigo em quatro anos aumentaram 78%”.

Têm sustentação factual?

Em novembro de 2023, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou novos dados sobre o risco de pobreza em Portugal, mais concretamente os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2023 sobre rendimentos do ano anterior.

Esses dados “indicam que 17% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2022, mais 0,6 pontos percentuais (p.p.) do que em 2021. A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2022, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 7.095 euros (591 euros por mês)”.

Representa um aumento em comparação com 2021, mas não com 2015, quando Costa assumiu o cargo de Primeiro-Ministro. O facto é que a taxa de risco de pobreza (após transferências sociais) ascendia a 19% em 2015, tendo baixado para 18,3% logo em 2016, primeiro ano completo de governação de Costa.

Manteve aliás uma trajetória descendente até atingir o ponto mínimo de 16,2% em 2019, mas subiu novamente para 18,4% em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19. No entanto, em 2021 voltou a baixar para 16,4%.

Quanto à taxa de risco de pobreza antes de qualquer transferência social, “considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 41,8% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2022″, segundo apurou o INE.

Ou seja, um decréscimo em comparação com 2021, quando a taxa de risco pobreza antes de qualquer transferência social era de 42,5%.

Também neste indicador, os dados do INE refutam a alegação de que a “taxa de pobreza subiu 17%”: na realidade, em 2015, a taxa de risco pobreza antes de qualquer transferência social ascendia a 46,1%.

De facto, baixou em todos os anos da governação de Costa (excepto em 2020) até chegar a um ponto mínimo de 42,4% em 2019 (aumentou para 43,5% em 2020, mas entretanto já voltou a cair para níveis historicamente baixos que não se registavam desde o início da crise do subprime em 2008).

Por sua vez, a alegação sobre o aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo tem fundamento, aliás tal como o Polígrafo já tinha verificado recentemente. Mas a mentira sobre o aumento da taxa de pobreza é tão grosseira que não podemos deixar de classificar esta imagem com o selo de “Falso“.

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Avaliação do Polígrafo:

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