Chamam-lhes "coincidências na TAP", em tom irónico, depois da polémica relacionada com o caso Alexandra Reis. Segundo um "post" de 2 de janeiro, para o lugar da ex-administradora, que saiu com uma indemnização de meio milhão de euros, foi, "em abril de 2022, uma ex-funcionária do Pingo Doce, Eng. Sofia Norton Reis Lufinha Mello Franco".

A saber: "A TAP vai mudar a sua sede para o edifício dos CTT no Parque das Nações, pelo valor de 4 milhões de euros. O sr. João Mello Franco integra a Comissão Executiva do Banco CTT. Será apenas coincidência de apelidos? Ou serão casados? Nada teria a ver com o assunto se a TAP fosse privada e eu não tivesse contribuído com os meus impostos para os 3,2 mil milhões de euros enterrados neste 'buraco público' sem fundo."

Importa começar por esclarecer que, de facto, a TAP divulgou um comunicado em setembro de 2022, na sequência da nomeação de Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco como membro do Conselho de Administração da Transportes Aéreos Portugueses "para o período remanescente do mandato em curso (quadriénio 2021/2024)", com efeitos a partir de 22 de setembro. Assim, com a alteração anunciada, a Comissão Executiva da TAP passou a ter Sofia Lufinha como vogal da Comissão Executiva.

Quanto a João Mello Franco, o mesmo faz parte do Conselho de Administração do Banco CTT (e não dos CTT), assumindo o cargo de vogal. Os dois administradores são, de facto, casados, mas nem o edifício pertence aos CTT, nem o negócio parece beneficiar o grupo empresarial: a TAP pode estar prestes a recuar no arrendamento do espaço no Edifício Báltico.

Ao "Jornal Económico", a companhia referiu não ter assinado "qualquer contrato de arrendamento do edifício Báltico, ou qualquer outro edifício, e continua a analisar a possibilidade de mudança de instalações dos serviços de terra que não necessitam de contiguidade com o aeroporto e, nesse âmbito, mantém contactos com várias entidades".

Os CTT iniciaram o processo de mudança, em setembro do ano passado, para o edifício Green Park, na Praça de Espanha, em Lisboa. Embora a TAP diga que "não existe qualquer obrigação contratual da TAP nesta matéria, nem com proprietários de edifícios, nem com outras entidades e, se e quando houver, os trabalhadores da companhia serão sempre os primeiros a receber a informação", o "Jornal de Negócios" avança que terá havido um acordo tripartido entre os CTT, TAP e fundo Deka (que detém o Edifício Báltico) e que protegia os CTT em termos de gastos extra.

Segundo a TAP, porém, mesmo que este negócio beneficiasse, de alguma forma, os CTT, a verdade é que a mudança de sede terá começado a ser equacionada em maio: Sofia Lufinha entrava na TAP apenas em setembro.

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