"Milhões para isto? Os portugueses pagam! TAP estreia louça da Vista Alegre na classe executiva e deixa tripulantes perplexos", destaca-se no post de 27 de abril no Facebook, denunciado como sendo falso ou enganador.

Na respetiva imagem surgem - abraçados - o primeiro-ministro António Costa e o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, responsável pela tutela da companhia aérea portuguesa.

Apesar das denúncias de fake news, esta publicação limita-se a replicar o título de uma notícia do jornal "Expresso", datada de 2 de novembro de 2020, apenas com uma ligeira variação: "TAP. Estreia de louça da Vista Alegre na classe executiva deixa tripulantes perplexos".

"É mais uma acha para a fogueira da polémica em que tem estado envolvida a TAP. A companhia decidiu estrear, no início de novembro, louça nova, porcelana da Vista Alegre, na classe executiva nos voos de longo curso, nos aviões A330 ou A321LR, uma opção que obriga os tripulantes de cabine a terem um serviço mais próximo dos clientes. A decisão, comunicada aos trabalhadores no fim-de-semana, provocou uma reação violenta no sindicato da tripulação de cabine, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que há algum tempo protesta pela falta de informação e envolvimento no processo de reestruturação da TAP", informou o referido jornal.

"Parece que foi encontrada a solução para a reestruturação da empresa: a nova louça da classe executiva pesa menos 15%, o que potencia poupanças de milhões e menos emissões de CO2 (com tantos aviões no chão temos emitido certamente muito menos)", ironizou o SNPVAC, comentando a decisão da direção comercial. "Queríamos era saber quanto custou ou custará a nova louça?"

A TAP justificou a decisão tomada na altura considerando-a economicamente mais vantajosa também dado o seu menor peso. "A substituição de louça a bordo, é um processo corrente, correto, adequado, economicamente equilibrado e vantajoso e que se salda num serviço melhor aos nossos clientes', afirmou fonte oficial da companhia aérea ao "Expresso".

"A louça de bordo tem enorme rotação e, por degradação ou por se partir, está em constante produção e substituição, pelo que a adoção de nova louça não significa novos custos", ressalvou.

Ou seja, o post em causa difunde o título de uma notícia verdadeira, embora careça de indicação da data e de contexto. Dada a proximidade temporal, porém, não parece estar a induzir em erro.

  • TAP apresentou prejuízos em nove dos últimos dez anos?

    O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, apresentou o plano de reestruturação da TAP que o Governo enviou para Bruxelas esta sexta-feira. A necessidade de uma intervenção estatal na companhia aérea portuguesa tem dividido opiniões e há quem alegue que as contas na última década foram quase sempre desfavoráveis e que a pandemia de Covid-19 não é a única justificação para o mau momento financeiro. Confirma-se?

Entretanto, no dia 22 de abril de 2021, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a TAP anunciou novos prejuízos que ascenderam a 1.230,3 milhões de euros em 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19, um agravamento superior em 12 vezes às perdas de 95,6 milhões de euros em 2019.

O número de passageiros transportados caiu 72,7%, as receitas de passagens caíram 70,9% e o índice de ocupação ficou nos 64,6% (tinha sido de 80,1% em 2019), de acordo com o comunicado.

"Durante 2020, os rendimentos operacionais totais atingiram 1.060,2 milhões de euros, um decréscimo de 2.238,6 milhões de euros (-67,9%) face aos rendimentos operacionais de 2019", informou a companhia aérea, um resultado devido "ao decréscimo dos rendimentos de passagens em 2.065 milhões de euros (-70,9%) e da atividade de manutenção para terceiros que registou um decréscimo de 143,4 milhões de euros (-67,9%)".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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