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Tânger Corrêa: “Neste momento, o Chega está muito perto do empate técnico com o PS e a AD nas sondagens”

Política
O que está em causa?
O antigo embaixador e cabeça de lista do Chega às eleições europeias do próximo domingo garantiu, na noite de ontem, numa entrevista à RTP e RTP3, que o Chega se está a aproximar do cenário de empate técnico com os dois preferidos (PS e AD). A visão de António Tânger Corrêa é, no entanto, demasiado otimista: o "quase" empate técnico - que na verdade representa ainda uma diferença de 4 pontos percentuais entre AD e Chega - acontece apenas numa sondagem. E já não é a mais recente.

António Tânger Corrêa esteve ontem à noite no Telejornal da RTP e, logo a seguir, na RTP3, onde argumentou que o Chega continua a crescer, ao passo que os socialistas e os social democratas caem nas sondagens. Só assim se justifica o que disse depois: que o “Chega está muito perto do empate técnico com o PS e com a AD”. Será assim?

Segundo um barómetro da Intercampus para o “Correio da Manhã”, CMTV e “Jornal de Negócios”, divulgado a 22 de maio, o PS e a AD sofreram uma quebra nas intenções de voto para as eleições europeias de 9 de junho. Os socialistas ficam-se agora pelos 22,2% (face aos 27,5% registados em abril), ao passo que a coligação que junta PSD, CDS-PP e PPM angaria a preferência de 21,2% dos inquiridos (face a 23,2% no mês passado).

A mesma sondagem mostra ainda que a lista encabeçada por Tânger Corrêa reúne 17,4% das intenções de voto – registando, assim, uma subida expressiva, na ordem dos seis pontos percentuais, face ao último barómetro (10,7%). O Polígrafo já mencionou, inclusive, esta sondagem, quando Tânger Corrêa disse, corretamente, que os dois grandes partidos/coligação (PS e AD) estavam a cair nas sondagens. No entanto, desta vez a análise do cabeça de lista do Chega é, no mínimo, exagerada.

É que o partido liderado por André Ventura continua a quase 4 pontos percentuais da AD (nesta sondagem, que é a mais abonatória para o partido) e a 5 pontos percentuais do PS. Numa sondagem pouco mais recente, do ICS/ISCTE para o Expresso e SIC, divulgada a 23 de maio, o PS lidera as intenções de voto com 32% (com distribuição de indecisos) seguido pela Aliança Democrática (AD) que conta com 26% dos votos. O Chega, que já parece ter conquistado o terceiro lugar, garante 18% das intenções de votos, ou seja, menos 8 pontos percentuais que a AD e menos 14 pontos percentuais que o PS.

Ora, para as intenções acima mencionadas serem consideradas um empate técnico o intervalo de confiança teria que ser excepcionalmente grande. Só assim a maior percentagem do Chega suplantaria a menor da AD ou do PS.

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Avaliação do Polígrafo:

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