O mecanismo escolhido pela classe de enfermagem para financiar a greve cirúrgica tem merecido da parte do governo severas críticas. O primeiro-ministro chegou mesmo a dizer publicamente que se trata de uma greve “selvagem e ilegal”. Mais: o Partido Socialista já anunciou que pondera apresentar um projeto de lei para proibir donativos anónimos no crowdfunding. A posição foi transmitida pelo vice-presidente da bancada socialista João Paulo Correia, que referiu que é essencial saber “quem está e como está a financiar” uma greve para a qual já foram angariados cerca de 784 mil euros.

Quem ouvir agora António Costa nao imagina, porém, que o atual primeiro-ministro foi percursor do crowfunding político em Portugal. Aconteceu em 2013, na sua última campanha para a Câmara de Lisboa, que viria a vencer com maioria absoluta.

Há, porém, uma diferença substancial entre a campanha a que António Costa se associou e a dos enfermeiros: a do então candidato à autarquia lisboeta não permitia doações anónimas.

No site que alberga a campanha de crowdfunding – que ainda é possível consultar aqui -, a ação (produzir um vídeo em que se os jovens fazem apelo à participação eleitoral) é descrita ao detalhe: “Num momento muito difícil para o país, em que muitos jovens são obrigados a emigrar em busca de um projeto de futuro, é fundamental encontrar caminhos e soluções que contrariem este rumo e nos devolvam a esperança”, pode ler-se no texto, que continua: “Com a realização de um vídeo em que procuramos dar voz aos jovens lisboetas, em vários pontos da cidade, queremos reforçar a participação nas eleições autárquicas de Setembro. Queremos com este vídeo fazer com que se compreenda a importância do voto, a diferença que pode fazer não deixarmos por mãos alheias a decisão do nosso futuro e dos projetos e opções que afetam diariamente a nossa vida.”

antºonio costa

Quanto aos  valores angariados, é garantia que “servirão para suportar os custos do vídeo, as horas de filmagem, os materiais e a edição, os custos da sessão pública de apresentação do vídeo e as recompensas simbólicas a quem participa.”

Por fim, o apelo à ação: “Tudo isto só será possível com a participação mais importante de todas: a sua! Participe. Juntos fazemos Lisboa.”

Há, porém, uma diferença substancial entre a campanha a que António Costa se associou e a dos enfermeiros: a do então candidato à autarquia lisboeta não permitia doações anónimas. Era enquadrada pela lei do financiamento partidário e, por isso, colocava dois requisitos fundamentais:

  • Os donativos não podiam ser feitos por pessoas colectivas (empresas, associações, fundações, etc.);
  • Os donativos deviam ser feitos através de meios que permitissem identificar a respectiva proveniência, nomeadamente transferência bancária.

No caso dos enfermeiros, acumulam-se as dúvidas sobre a origem dos fundos. Os profissionais já garantiram que é a própria classe quem financia, mas não são poucos os que sugerem que há “interesses” a financiar a paralisação, com os agentes que se movem no sector privado da saúde à cabeça dos suspeitos. José Miguel Júdice, no seu programa de comentário da SIC Notícias, afirmou, sem detalhar, que seriam “os russos” quem estaria a financiar os enfermeiros.

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