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Suécia vai abandonar totalmente o ensino digital e “regressar aos livros”?

Internacional
O que está em causa?
"Após 15 anos de experiência, os ministros suecos da educação e da cultura concluíram que o melhor é abandonar os ecrãs digitais e os tablets nas salas de aula", destaca-se numa publicação no Facebook. Garante-se que na Suécia o ensino digital vai ser deixado de lado e que os livros tradicionais vão regressar às escolas. É mesmo assim?

Uma publicação de 3 de julho, no Facebook, dá conta de um recuo no método de ensino praticado na Suécia. “Suécia vai abandonar o ensino digital e regressar aos livros”, alega-se.

No post, descreve-se que, após 15 anos de experiência, “os ministros suecos da educação e da cultura concluíram que o melhor é abandonar os ecrãs digitais e os tablets nas salas de aula“. Alega-se ainda que “o objetivo inicial passava por encurtar o tempo de aprendizagem e habituar o cérebro às velocidades digitais”, mas que o resultado foi “exatamente o oposto”.

“Verificam agora, que as competências de literacia diminuíram em grande escala, a dependência de informação pronta a usar aumentou, bem como cresceram os níveis de dificuldade de expressão oral e escrita”, informa-se.

Será verdade?

Em primeiro lugar, importa notar que não é feita qualquer referência à fonte da informação partilhada neste post de Facebook. Apesar disso, uma pesquisa em inglês sobre o tema apresenta como principal resultado um artigo publicado no jornal francês “Le Monde“, de 21 de maio de 2023.

“Muito rápido, muito cedo? Suécia afasta-se das telas nas escolas“, destaca-se no título da notícia. Informa-se que, “com base em conselhos médicos, o governo de centro-direita [sueco] quer reduzir o tempo que os alunos passam em frente aos ecrãs e trazer os livros didáticos de volta para a sala de aula”.

No artigo descreve-se que, há vários meses, se discute na Suécia o lugar da tecnologia digital nas escolas do país, uma preocupação levantada pelos profissionais de saúde. Assim, o executivo sueco anunciou que alocaria 685 milhões de coroas (60 milhões de euros) este ano e 500 milhões (45 milhões de euros) por ano, em 2024 e 2025, “para acelerar o retorno dos livros didáticos às escolas“.

Segundo a ministra da Educação sueca, Lotta Edholm, o investimento “faz parte do restabelecimento da leitura nas escolas, em detrimento do tempo de ecrã”. Segundo o “Le Monde”, o objetivo é garantir um livro por aluno e por disciplina, já que nos últimos quinze anos, os ecrãs substituíram gradualmente os livros didáticos na Suécia.

No entanto, tal como assinala o jornal francês, “não há estatísticas sobre a quantidade de tempo que as crianças suecas passam em frente aos ecrãs nas escolas”. “Varia de uma escola para outra e depende dos professores – inclusive do seu interesse pelas tecnologias digitais e do seu nível de formação, que oscila entre cidades, dependendo do empenho financeiro dos municípios”, indica-se.

Em conclusão, apesar de existir um efetivo recuo do Governo da Suécia na digitalização total do ensino, não se trata de um abandono total dos aparelhos didáticos. Mas sim de uma recuperação de alguns livros, garantindo o equilíbrio entre os dois métodos de ensino. Ou seja, a informação analisada é apresentada de forma descontextualizada.

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Avaliação do Polígrafo:

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