"Suécia regista zero contágios: sem lockdowns e sem tirar a liberdade das pessoas. Dados do dia 25 de julho de 2021. A Suécia adoptou uma estratégia completamente diferente desde o início da pandemia do que outros países e foi muito criticada pelas suas condutas. Enquanto a maioria dos países instituíram decretos com regras duríssimas, na Suécia todas as atividades foram deixadas abertas, sem restrições particulares", lê-se no post de 27 de julho no Facebook.

"Além disso, no país também não há obrigatoriedade de uso de máscaras, já que nem mesmo as autoridades de Saúde recomendam o seu uso", acrescenta-se.

Estas alegações têm algum fundamento?

Começando pelos supostos "zero contágios", trata-se de um equívoco, na medida em que as autoridades de Saúde da Suécia não têm divulgado os números de novos casos de infeção por Covid-19 todos os dias. Ao longo dos últimos meses, os dados da Suécia têm ficado a zero em vários dias sucessivos. Não por não se registarem novos casos, mas porque as autoridades de Saúde gerem o processo de registo e divulgação de outra forma, acumulando dados de vários dias em detrimento de uma atualização diária.

Foi precisamente isso que voltou a acontecer nos dias 24, 25 e 26 de julho de 2021: não foram divulgados os dados, pelo que a contagem ficou a zero. Logo no dia 27 de julho, porém, registaram-se 1.355 novos casos de infeção, quase o triplo em comparação com os 458 novos casos do dia 23 de julho (pode consultar aqui os dados referentes à Suécia).

Ou seja, os 1.355 novos casos de 27 de julho correspondem à acumulação de casos nos três dias anteriores. É evidentemente falso que não tenham sido detectados novos casos de infeção por Covid-19 no dia 25 de julho (além de 24 e 26 de julho) na Suécia. Ora, a não divulgação de dados todos os dias não significa que não tenham sido detectados novos casos. E nem sequer é um fenómeno inédito ou recente, tem acontecido frequentemente na Suécia desde o início da pandemia.

O mesmo se aplica ao número de mortes por Covid-19 na Suécia, com a particularidade de se registarem números negativos em alguns dias. Não porque se tenham verificado ressurreições, mas simplesmente por causa de atualizações dos dados, mudanças de critérios ou retificações de erros no processo de registo e contabilização.

De qualquer forma, desde o dia 10 de fevereiro que não se registam mais de 100 mortes diárias por Covid-19 na Suécia, mesmo tendo em conta a acumulação de dados entre vários dias.

Presentemente, a Suécia tem 39,85% da respetiva população totalmente vacinada (com duas doses ou unidose) contra a Covid-19. A evolução do processo de vacinação terá contribuído para evitar mortes quando o número de novos casos diários voltou a atingir picos elevados na Suécia entre março, abril e maio de 2021. Nessa última vaga, como se pode verificar nos dois gráficos exibidos neste artigo, a mortalidade não acompanhou o ritmo de aumento de novos casos diários com a mesma proporção da vaga anterior. Parece ser um indício seguro da eficácia das vacinas na prevenção de mortes.

Quanto às alegações de que a Suécia chegou a "zero contágios" de Covid-19 (preposição falsa, como já demonstrámos) "sem tirar a liberdade das pessoas" e "sem restrições particulares", também não tem fundamento.

Na página do Ministério da Saúde e Assuntos Sociais da Suécia destaca-se o plano do Governo para o alívio das restrições em vigor no âmbito da pandemia de Covid-19, publicado no dia 28 de maio de 2021. Se não existissem restrições, decerto que não existiria um plano do Governo para o alívio gradual das restrições, escalonado em cinco etapas.

A mais recente atualização das medidas de restrição data de 15 de julho. A partir dessa data, na Suécia, os transportes públicos de longa distância voltaram a poder circular com lotação máxima, os municípios deixaram de poder impedir o acesso público a determinados locais com aglomerados de pessoas, entre outros exemplos de alívio de restrições que estavam em vigor.

De resto, quanto à utilização de máscaras, não é obrigatória na Suécia, mas não é verdade que "nem mesmo as autoridades de Saúde recomendam o seu uso". Na realidade, a Agência de Saúde Pública da Suécia indica que as máscaras devem ser entendidas como um complemento - não uma substituição - das outras medidas de contenção do risco de infeção: ficar em casa se tem sintomas; manter uma boa higiene das mãos; manter distância física de outras pessoas, tanto no interior como no exterior.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network