"Acima, a chaminé à direita foi adicionada depois da guerra e nem está anexada ao prédio. Os russos construíram isso para manter o conto de fadas do extermínio dos judeus", alega-se no texto da publicação em causa.

O autor questiona também sobre "se vivemos em democracia, com liberdade de expressão e de imprensa, porque razão haveria de ser criminalizada a busca pela verdade sobre o Holocausto Judeu na Segunda Guerra Mundial?"

A câmara de gás que vemos na imagem encontra-se no campo principal, Auschwitz I, contruído em 1940. Segundo informação disponibilizada na página do Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau, só quando foram construídos quatro crematórios é que foi possível desativar totalmente a câmara de gás, utilizada pela última vez em dezembro de 1942 pelos nazis alemães.

O Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau foi criado no pós-guerra, em 1947, abrangendo os antigos campos de concentração de Auschwitz e Auschwitz-Birkenau, onde jazem até hoje centenas de edifícios e ruínas, incluindo os crematórios. Depois da demolição de quatro câmaras de gás, em 1945, o Crematório I foi restaurado pelo museu como forma de preservar o contexto histórico e servir como memorial de todas as vítimas no complexo.

Em texto informativo do museu sobre o local retratado nas imagens descreve-se que "este objeto [câmara de gás] é altamente preservado de acordo com o seu estado original. (…) Duas das três fornalhas e a chaminé foram reconstruídas, a partir das peças originais, e vários dos orifícios no tecto da câmara de gás foram reabertos". 

Esta reconstrução, embora descrita pelo museu como sendo meticulosa, motivou diversas teorias negacionistas sobre a existência de câmaras de gás em Auschwitz. Em janeiro de 1995, a revista francesa L’Express assinalou o 50º aniversário da libertação de Auschwitz com um artigo da autoria do jornalista Eric Conan sobre os desafios inerentes à preservação dos campos de concentração. "Nos anos 50 e 60, vários edifícios que tinham desaparecido ou mudado de utilização foram reconstruídos, com grandes erros, e apresentados como autênticos", escreveu Conan. "Estas reconstruções tiveram grande utilidade para os negacionistas que extraíram delas grande parte das suas invenções".

Importa salientar que na Polónia, por exemplo, o negacionismo do Holocausto é considerado como um crime e punido com pena mínima de três anos de prisão. O recurso a câmaras de gás durante o Holocausto foi comprovado por várias fontes, entre as quais se destacam o relatório Vrba-Wetzler ou o testemunho de Rudolf Höss, comandante do campo de concentração de Auschwitz, entre muitos outros exemplos.

Concluímos assim que a câmara de gás no acampamento principal de Auschwitz não é uma "farsa", mas sim um espaço restaurado para manter o seu papel histórico enquanto testemunho do Holocausto. Com o objectivo de constituir um memorial, esta reconstrução não teve qualquer intervenção "dos soviéticos", ao contrário do que se denuncia falsamente no blog, além de ser classificada como "Património da Humanidade" pela UNESCO desde 1974.

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