"É de lamentar que nestas eleições as mulheres continuem a estar tão sub-representadas, como continuamos a ver. Temos inclusivamente forças políticas que nem sequer respeitam a lei da paridade. O próprio PSD, em 22 distritos, tem apenas seis mulheres, menos uma do que em 2019, como cabeças-de-lista", afirmou Inês Sousa Real, líder do PAN, no debate desta noite frante a Rui Rio, do PSD.

Confirma-se?

Sim. O jornal "Diário de Notícias" fez essa contagem, em artigo publicado no dia 3 de janeiro. O Polígrafo também verificou os nomes de todos os 22 cabeças-de-lista do PSD e confirmou que são 16 homens e seis mulheres.

Mas o PSD não é caso único, nem o pior, no que respeita à paridade entre géneros nos cabeças-de-lista às eleições legislativas. "Entre os 174 cabeças-de-lista às eleições de 30 de janeiro apresentados pelos oito partidos com representação parlamentar há apenas 60 mulheres. Um número que deixa a representação feminina no primeiro lugar das listas ligeiramente acima de um terço, 34,4%", informou o referido jornal.

"O único partido com paridade nos cabeças-de-lista é o Bloco de Esquerda, que avança com 11 mulheres e 11 homens nos 22 círculos eleitorais do país. No polo oposto está o Chega: o partido de André Ventura (que já qualificou a Lei da Paridade como um 'absoluto disparate') apresenta apenas duas candidatas para os 22 lugares disponíveis - uma representação feminina de 9% no lugar cimeiro das listas", destacou.

Quanto ao PSD, tem números idênticos aos do PS: 16 homens e seis mulheres como cabeças-de-lista. Ou seja, apenas 27,2% de representação feminina na liderança das listas.

"Tanto no PS como no PSD, a representação feminina no topo das listas diminui, por comparação com as eleições legislativas de 2019", lê-se no referido artigo. "No caso dos socialistas, há três anos a proporção era de oito mulheres (36,3% do total) para 14 homens. Já no que se refere aos sociais-democratas, a diferença é mais ligeira: há agora menos uma cabeça-de-lista do que nas eleições anteriores para a Assembleia da República".

Classificamos a alegação de Sousa Real como factualmente correta, apesar de uma ligeira imprecisão: não são 22 distritos, mas sim 22 círculos eleitorais.

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Avaliação do Polígrafo:

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