“A sonolência é a primeira causa de acidentes com camiões”, alega-se num post, publicado no dia 14 de junho. O autor da publicação acrescenta: “Cada vez está a haver mais acidentes com camiões derivado ao cansaço extremo e alto elevado de stress, que em qualquer momento o motorista adormece. Apesar dos controles apertados por parte das autoridades, têm sido infortúnios porque não estão a ir ao centro do problema."

É mesmo assim?

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) começa por explicar ao Polígrafo que realiza relatórios de sinistralidade e fiscalização anuais, que disponibiliza no seu site. No que diz respeito exclusivamente aos dados de sinistralidade de acidentes com veículos pesados (de passageiros, mercadorias e especiais), a ANSR indica que houve uma ligeira diminuição de acidentes, vítimas mortais e feridos graves nos últimos três anos.

No que diz respeito aos acidentes rodoviários que envolvem veículos pesados, não há nenhum estudo sistemático que permita estabelecer uma lista hierarquizada de causas. Quer isto dizer que não é possível afirmar que a sonolência é a principal causa de acidentes com camiões.

“Efetivamente, embora as causas de fadiga e sonolência possam ser diferentes, os efeitos da sonolência e fadiga são muito semelhantes, nomeadamente uma diminuição da capacidade de desempenho mental e físico”.

No entanto, a ANSR aponta algumas considerações relativamente ao papel do sono nos acidentes. “Em primeiro lugar, salienta-se que o sono na segurança rodoviária encontra-se englobado num fenómeno mais vasto com a designação de fadiga. Efetivamente, embora as causas de fadiga e sonolência possam ser diferentes, os efeitos da sonolência e fadiga são muito semelhantes, nomeadamente uma diminuição da capacidade de desempenho mental e físico”.

Citando a Comissão Europeia, a ANSR salienta que “a fadiga é um fator principal numa grande proporção de acidentes rodoviários (10-20%). Vários estudos sugerem que a fadiga está associada ao aumento do risco de colisão. Uma pessoa que conduz depois de estar acordada durante 17 horas tem um risco de colisão equivalente a estar ao nível de 0,5 g/l de álcool no sangue (ou seja, o dobro do risco normal). O aumento do risco resulta frequentemente de uma combinação de fatores biológicos relacionados com o estilo de vida e o trabalho”.

“Outros fatores que são apontados para uma maior incidência da fadiga é a realização de condução monótona de longa duração em autoestradas, a condução entre as 2 e as 6 da manhã e a ingestão de álcool”.

Ainda de acordo com o mesmo documento, a condução sob o efeito da fadiga é recorrente entre os jovens condutores, visto que os adolescentes necessitam de dormir mais que os adultos. Por outro lado, a maior parte dos condutores profissionais e trabalhadores por turnos têm de lidar frequentemente com a fadiga na condução. “Outros fatores que são apontados para uma maior incidência da fadiga é a realização de condução monótona de longa duração em autoestradas, a condução entre as 2 e as 6 da manhã e a ingestão de álcool”, finaliza a ANSR.

Em suma, apesar de a fadiga ser um dos fatores que põe em risco a condução dos veículos pesados, não existem estudos que permitam afirmar que é a causa que prevalece, logo não há dados que sustentem a afirmação da publicação analisada.

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