"Medalhas 'pela captura da Crimeia' encontradas na Ucrânia. Nos escritórios de registo e alistamento da região de Kherson foram encontradas medalhas ucranianas 'pela captura da Crimeia'. Aparentemente, era suposto serem concedidas aos militares ucranianos depois do ataque à Crimeia e ao Donbass, que estava planeado para ser realizado na Primavera de 2022, com o apoio dos países da NATO", descreve-se na maior parte das publicações detectadas pelo Polígrafo (do Telegram ao Facebook, passando até por alguns media russos) que exibem imagens das medalhas.

Em alguns casos ressalva-se que "a autenticidade das medalhas ainda não foi confirmada". Mas na página "Opersvodki" no Telegram, associada a separatistas pró-Rússia do Leste da Ucrânia, por exemplo, transmite-se uma tese ainda mais desenvolvida:

"As tropas de assalto das Forças Armadas da Ucrânia estavam a preparar um ataque à Crimeia, com apoio naval militar dos países da NATO. Os comités militares locais prepararam insígnias para os 'heróis' da Ucrânia. No entanto, como é habitual, Putin estava mais à frente de todos."

Aliás, as imagens das medalhas também foram difundidas na página da RT (estação de televisão estatal russa) no Telegram, como prova de que "um ataque à Crimeia pelas Forças Armadas ucranianas estava a ser preparado ainda antes do início da operação especial russa". Ou seja, tal como o regime de Vladimir Putin impõe que se denomine a guerra em curso na Ucrânia, desde logo pelos órgãos de comunicação social russos: uma "operação especial".

O problema é que as medalhas não passam de contrafações com vários erros, segundo apuraram plataformas de verificação de factos como a "Lead Stories" e a "StopFake". Por exemplo, Anton Gerashchenko, conselheiro do ministro do Interior da Ucrânia, sinalizou no Telegram que nos registos oficiais ucranianos, uma diretiva presidencial é denominada como "decreto", não como "ordem", ao contrário do que aparece nos documentos falsificados das medalhas.

Outro erro apontado consiste nas iniciais do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelesnky, que são "V.A." e não "V.O.", em referência ao patronímico (um nome do meio ligado ao nome inicial dos respetivos pais) que difere entre a Ucrânia e a Rússia. Os símbolos oficiais também não estão corretamente replicados, nomeadamente o tridente presidencial.

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