“Soldados israelitas exibem-se em frente a detonação em edifícios em Gaza”, lê-se num tweet, escrito em língua francesa, na rede social X. A publicação é acompanhada de um vídeo de apenas oito segundos em que, aparentemente, dois soldados israelitas surgem a fumar enquanto atrás dos mesmos, a quilómetros de distância, uma zona residencial explode em Gaza, ficando reduzida a destroços.
O tweet não fornece mais detalhes sobre o acontecimento em específico, nem a localização, nem quando aconteceu ou quem foi o responsável pela captura das imagens.
O vídeo é autêntico e a descrição corresponde à realidade dos factos?
Através de uma pesquisa das imagens verifica-se que o vídeo foi originalmente partilhado num outro tweet por Yinon Magal (um jornalista israelita que já tinha partilhou conteúdo similar no passado) no dia 3 de janeiro de 2024.
O vídeo não apresenta qualquer sinal de manipulação, mas também não é indicada pelo jornalista a origem do mesmo – se o tirou de alguma rede social, se lhe foi enviado ou se foi o próprio que captou as imagens.
Este tipo de vídeo de militares israelitas a vangloriarem-se pelos ataques lançados contra Gaza tem sido um fenómeno recorrente desde o final de 2023, quando começaram a surgir várias gravações, aparentemente captadas e difundidas pelos próprios militares nas redes sociais.
Em dezembro de 2023, Yinon Magal partilhou no X e no Instagram um vídeo que exibia dezenas de soldados a dançar em círculo, alegadamente em Gaza, enquanto cantavam uma canção que, entre outras coisas, incluía a frase “Gaza viemos para conquistar”.
De acordo com a Associated Press (AP), os militares israelitas culpam o Hamas pelo número de mortes de civis, acusando o grupo de atuar em bairros cheios e usando os residentes como escudos humanos, e por isso não se coíbem de celebrar as suas vitórias. Será, talvez, por esse motivo que têm vindo a público vídeos de soldados israelitas mostrando-se indiferentes aos danos causados em Gaza.
No caso deste vídeo partilhado em dezembro, que viralizou nas redes sociais, Magal defendeu-se dizendo que o tirou do Facebook e alegando que não conhecia os militares que protagonizavam as imagens. A AP verificou, contudo, que os uniformes e linguagem ouvida nestes vídeos eram consistentes com reportagens independentes do jornalista.
O conflito israelo-palestiniano começou a 7 de outubro de 2o23 depois de o movimento islamista palestiniano Hamas ter lançado um ataque contra Israel, desencadeado uma contraofensiva militar agressiva do lado israelita. Desde então, a guerra tem matado milhares de civis, particularmente em Gaza, e vindo a escalar de violência. Israel não pretende parar enquanto não derrotar Hamas, ainda que isso resulte na morte de civis palestinianos.
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