Questionado sobre se, no exercício do cargo de primeiro-ministro, não faria aumentos do salário mínimo nacional por iniciativa do Governo, Rui Rio esclareceu que não é disso que se trata:

"Se eu for primeiro-ministro haverá aumentos do salário mínimo que terão em conta a inflação e os ganhos de produtividade. E depois eu entendo que, acima disso, deve haver mais um bocadinho e esse mais um bocadinho deve ser decidido em Concertação Social. Agora, aquilo que eu não farei é o crescimento do salário mínimo nacional por decreto, acima daquilo que a economia pode. Fazendo isso, sabe o que é que acontece? Acontece o resultado final da Governação do PS".

O líder dos PSD prosseguiu no sentido de sustentar a sua afirmação:

"A mediana dos salários em Portugal são 900 euros. Metade dos portugueses ganha menos de 900 euros e metade dos portugueses ganha mais de 900 euros. É a segunda pior mediana da Europa. Só a Bulgária é pior do que nós."

Confirma-se?

Não. De acordo com dados do Eurostat, gabinete de estatísticas da União Europeia, divulgados em março de 2021, os salários brutos mensais "variam consideravelmente" entre os diferentes Estados-membros da União Europeia, desde um valor máximo de 4.057 euros na Dinamarca (mediana mensal de 2018) até um valor mínimo de 442 euros na Bulgária (mediana mensal de 2018).

Em 2018, Portugal registou uma mediana de 933 euros, o sétimo valor mais baixo entre os 27 Estados-membros da União Europeia. Pior do que em Portugal só na Letónia, Polónia, Lituânia, Hungria, Roménia e Bulgária.

A mediana é diferente de média, sublinhe-se. Corresponde a um valor do meio, isto é, metade dos trabalhadores aufere menos e a outra metade aufere mais do que o valor mediano dos salários, tal como explicou Rio.

No topo da tabela, logo a seguir à Dinamarca surgem o Luxembrugo (3.671 euros), a Suécia (3.135 euros), a Bélgica (3.092 euros), a Irlanda (3.021 euros), a Finlândia (2.958 euros) e a Alemanha (2.891 euros), todos com mais do triplo da mediana registada em Portugal no mesmo período temporal.

Em suma, Portugal não é o país com a segunda pior mediana salarial da União Europeia, nem da Europa mais alargada. De acordo com os últimos dados disponíveis (referentes a 2018) do Eurostat, tem a sétima mediana mais baixa entre os 27 Estados-membros da União Europeia. Classificamos assim a alegação de Rio como errada.

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