Dando seguimento ao que é a sua continuada linha editorial repetida, o site “Direita Política” protagoniza, na sua edição de hoje, mais um episódio de pura desinformação. Em manchete, noticia um alegado escândalo de uma fraude milionária protagonizada por uma central sindical.

O título é inequívoco: “Sindicalistas gastaram 40 milhões de euros de subsídios públicos em jantares, bebidas e outras extravagâncias.”A imagem que acompanha o texto também é esclarecedora: trata-se de um meme (um formato pensado para ser partilhado nas redes sociais) com a cara de Arménio Carlos, o conhecido secretário-geral da CGTP.

O texto, escrito em forma de notícia de modo a dar a ideia de que se trata de informação produzida por profissionais de informação, começa assim: “É já uma regra mundial: seja em que parte do mundo for, onde estiver um socialista e sindicalista, está um ladrão e um parasita dos contribuintes, em potencial ou já efectivo.”Só no segundo parágrafo o leitor começa a desconfiar que afinal Arménio Carlos nada tem a ver com o tema da “notícia”em causa.

Na verdade, o texto é uma adaptação livre de uma notícia publicada no jornal “Expresso”, que dava conta da fraude gigantesca em que a delegação andaluza da UGT (Unión General de Trabajadores) se viu envolvida em Espanha.

Noticiada pelo jornal El Mundo, a fraude consiste num desvio, pela estrutura sindical, de mais de 41 milhões de euros relativos a subsídios transferidos pelo governo da Andaluzia para fins muito pouco ortodoxos.

“É já uma regra mundial: seja em que parte do mundo for, onde estiver um socialista e sindicalista, está um ladrão e um parasita dos contribuintes, em potencial ou já efectivo", descreve o texto.

Um deles foi a conta de 12 mil euros paga por um jantar com cerca de 150 convidados no qual se serviram presuntos inteiros, camarão, choco, tortilhas, croquetes, jarros de cerveja e refrigerantes, tudo finalizado com um bar aberto.

Os gastos excêntricos estenderam-se à moda: a administração da UGT comprou uma mala de senhora de um conhecido designer, para depois mandar  produzir “no Oriente” 700 exemplares. Objetivo: oferecê-las num congresso. Estas despesas foram apresentadas ao governo da Andaluzia como “gastos na formação de pessoas desempregadas”.

Segundo o relatório dos peritos, ao todo a UGT desviou 41.709.375,48 euros -  64% dos 11 subsídios que lhe foram atribuídos entre 2019 e 2013.

Ao utilizar uma notícia relativa a Espanha, sem qualquer ligação à realidade portuguesa, muito menos a Arménio Carlos, o “Direita Política” produz desinformação com dois objetivos: ganhar tráfego, potenciando as suas receitas publicitárias, e difamar um político de esquerda, contrário às convicções habitualmente expressas no site.

Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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