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Simpatizante do Chega vai atuar nas cerimónias do 25 de Abril?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Chama-se Luís Trigacheiro e ficou conhecido depois de ganhar, em 2020, um concurso de talentos na RTP. Sujeito ao escrutínio público, o artista alentejano foi identificado por muitos internautas como sendo apoiante do partido Chega. Agora, é chamado a atuar nas celebrações do 25 de Abril, em Lisboa.

“Ah, o Luís Trigacheiro vai cantar nas festas do 25 de abril de Lisboa, muito bem”, lê-se num tweet divulgado esta segunda-feira, 17 de abril. A notícia não vem sozinha e, para contextualizar, o autor do tweet anexou três imagens da página de Facebook do cantor alentejano, onde Trigacheiro partilha conteúdo ligado ao partido Chega.

Se hoje já não é possível encontrar rasto de partilhas de Luís Trigacheiro relacionadas com o partido de extrema-direita, em 2019 e 2020 o cenário era bastante diferente. Esse e o seu contrário, com o Chega de Beja a partilhar as atuações de Trigacheiro no concurso de talentos.

Por exemplo, a 30 de outubro de 2019, Luís Trigacheiro partilhava a segunda intervenção de André Ventura no Parlamento pelo partido Chega no Facebook. E escrevia: “Aprendam alguma coisa.” Logo a 6 de novembro, o cantor partilhava na sua página a ligação para um grupo privado de apoio a André Ventura. O primeiro, identificava o nome do grupo.

Em fevereiro de 2020, com a descrição “o nosso racismo”, Trigacheiro partilhava uma imagem falsa sobre os supostos “subsídios” dos refugiados, que ganhariam mais do que os reformados portugueses. Logo no mês seguinte, a partilha de um vídeo onde André Ventura falava sobre a comunidade cigana. O título? “A comunidade cigana vive numa bolha de impunidade”. Ainda nesse mês, Trigacheiro divulgava uma publicação oficial do partido Chega em que se pedia que se fechassem as fronteiras, a propósito da pandemia de Covid-19.

Como o Polígrafo já escreveu, estas partilhas e publicações desapareceram por completo da página pessoal de Facebook de Luís Trigacheiro, que o Polígrafo tentou contactar sem sucesso.

Em Lisboa, o cantor vai atuar no próximo dia 24 de abril, a propósito das celebrações do dia em que se comemora a Revolução dos Cravos. “Na noite de 24 de abril, Vitorino e convidados trazem-nos ‘Abril em Flor’. São canções de esperança e do período de resistência à ditadura”, refere a CML em comunicado publicado no Facebook.

No Twitter destaca-se uma contradição entre o que André Ventura disse sobre o agressor que matou duas mulheres no Centro Ismaelita, em Lisboa, e o que defendia na sua tese de doutoramento sobre a "a estigmatização de certas comunidades associadas, de modo superficial, ao fenómeno terrorista".
“O palco será partilhado com vários artistas e há várias surpresas. No final, brindamos à liberdade com fogo de artificio”, continuou a autarquia lisboeta. Entre os artistas, Luís Trigacheiro, o já não tão simpatizante do Chega que parece ter escondido a sua relação com o partido do Facebook.

A autarquia revelou ainda que no palco estarão também Mafalda Veiga, Márcia, Zeca Medeiros, António José Gonçalves e Cantadeiras e Cantadores do Redondo, e que haverá participação em vídeo de Carlão, Tim, Capicua e Aldina Duarte. O que a Câmara ainda não esclareceu ao Polígrafo foi de quem partiu a ideia de chamar Luís Trigacheiro para atuar no “Abril em Flor”.

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Avaliação do Polígrafo:

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