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Serviço de abastecimento de água em Portugal “perde 184 milhões de metros cúbicos por ano”?

Sociedade
O que está em causa?
"Portugal com desperdício crónico de água na rede de distribuição", alerta-se em publicação no Facebook, apontando para um volume anual de 184 milhões de metros cúbicos de água não faturada - classificada assim como perdida. Verificação de factos.
© Agência Lusa / Miguel A. Lopes

Numa publicação de 26 de junho no Facebook destaca-se que o “serviço de abastecimento de água perde por ano 184 milhões de metros cúbicos“. Remete para o que parece ser o título de uma notícia – “Portugal com desperdício crónico de água na rede de distribuição” -, numa imagem em que também se lê que “pelo menos 45 municípios portugueses têm perdas acima dos 50% e 19 não fazem sequer a medição”.

Posto isto, o autor da publicação lança um apelo: “Castiguem os políticos e não os contribuintes.”

A alegação sobre o volume de perda de água tem fundamento?

De acordo com a última edição do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2023), com dados referentes a 2022, o serviço de abastecimento público de água regista perdas anuais de cerca de 184 milhões de metros cúbicos.

O indicador de perdas reais registou o valor mais baixo dos últimos cinco anos para as entidades gestoras em baixa (abastecimento ao consumidor final) mas, ainda assim, a avaliação é mediana, por se perder por ano 162,2 milhões de metros cúbicos de água na rede.

Somando as perdas no setor em alta (que faz a ligação às entidades gestoras), de cerca de 21,5 milhões de metros cúbicos, resulta em 184 milhões no total.

“No conjunto de entidades gestoras que prestam serviços em alta, a água não faturada tem representado ao longo dos últimos anos uma pequena percentagem da água entrada no sistema, próxima dos 5% (limite para uma qualidade do serviço boa), tendo-se mantido relativamente estável”, informa-se no relatório.

Quanto aos serviços em baixa, a percentagem de água não faturada tem vindo a decrescer ligeiramente ao longo dos últimos anos, fixando-se nos 27,1% em 2022.

Em conjunto (serviços em alta e baixa), no ano de 2022 registou-se assim 32,1% de água não faturada, considerada como perdida.

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Avaliação do Polígrafo:

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