O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Será que os automóveis elétricos são realmente amigos do ambiente?

Geração V
O que está em causa?
A disputa entre carros elétricos e carros a combustão é conhecida. Há quem defenda que os carros elétricos não são assim tão "verdes" como se faz crer, mas será que estas críticas têm fundamento?

Nos últimos anos, tem-se verificado um crescimento significativo no mercado de veículos elétricos. Desde automóveis a veículos de transporte coletivo, a sua presença nas estradas é cada vez maior, o que evidencia uma progressão na consciencialização ambiental e no combate às alterações climáticas.

Mas será que esta alternativa é realmente “amiga” do ambiente?

Comparativamente aos automóveis a combustão, estes são sem dúvida mais “verdes”, dado que não emitem gases poluentes para a atmosfera. No entanto, para melhor considerar a sua sustentabilidade, é necessário ter em conta alguns fatores relacionados com as baterias que são muitas vezes apontados como desvantagem quando se quer desmentir a sua sustentabilidade.

As atividades de extração de lítio, necessário para as baterias, têm um impacto ambiental bastante significativo. No site da Lithium Harvest, uma empresa norte-americana que se dedica à extração deste minério, indica-se que este processo, quando efetuado da forma convencional, provoca a contaminação do subsolo e de águas subterrâneas, a emissão de gases de efeito de estufa e ainda poluição visual.

Aliás, em média, por cada tonelada de lítio extraída são emitidas mais de 35 toneladas de dióxido de carbono, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Contudo, novos métodos de extração menos poluentes têm vindo a ser desenvolvidos de modo a minimizar o impacto ambiental, nomeadamente através de empresas como a Lithium Harvest.

A origem da energia utilizada pelos automóveis elétricos é outro fator determinante para a sua sustentabilidade. Apesar de existirem várias fontes de energia renovável, estas ainda não representam a totalidade da energia utilizada. O último relatório da IEA (Agência Internacional de Energia) indica que, em 2022, a eficiência energética do setor mais do que duplicou em relação ao nível do ano anterior, o que representa um crescimento significativo.

É também fundamental analisar o fim do ciclo de vida das baterias e o modo como estas são descartadas ou recicladas. Apesar de existirem vários métodos eficientes de reciclagem, estes ainda não são aplicados a 100%, segundo detalha a organização sem fins lucrativos “Union of Concerned Scientists (UCS)”, com sede nos Estados Unidos.

A Lei de Baterias da UE procura melhorar o impacto ambiental das baterias e exige que os processos de reciclagem tenham uma taxa de recuperação em 2025 de 90% para cobalto, níquel e cobre e 50% para lítio, aumentando para 95% e 80%, respetivamente, em 2030. Esta mudança significará um aumento evidente na eficiência da reciclagem das baterias e, consequentemente, na sustentabilidade de todo o processo. 

A nova lei visa ainda garantir que as baterias sejam recolhidas, reutilizadas e recicladas procurando, no futuro, que tenham uma baixa pegada de carbono e utilizem um mínimo de substâncias nocivas e menos matérias-primas de países terceiros. O objetivo é que estas medidas reforcem a transição para uma economia circular, aumentando “a segurança do aprovisionamento de matérias-primas e energia e reforçando a autonomia estratégica da UE”, indica o site da Comissão Europeia.

Assim, a resposta é um “verdadeiro, mas”.

Apesar de ainda não serem 100% sustentáveis devido aos processos de extração para a construção das baterias, os automóveis elétricos são amigos do ambiente, especialmente quando comparados com os automóveis a combustão. Mesmo não sendo ainda totalmente “verdes”, os processos de extração têm vindo a diminuir o seu impacto ambiental, e, nesse âmbito, as energias renováveis serão cada vez mais utilizadas, logo, mais “verdes”.

_______________________________

Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque