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“Será que a Joaninha tem uma pilinha?”. Manual que Chega quer retirar das escolas ainda está em circulação?

Política
O que está em causa?
Pelo menos desde 2021 que o manual "A Grande Aventura" já não está em circulação. Quanto ao texto partilhado esta quarta-feira pela deputada do Chega Rita Matias, já não surge nas escolas desde 2013, quando este livro foi atualizado.

A denúncia da deputada do Chega tornou-se viral: “Atenção mães e pais: se este texto é indigno para uma página política, mais indigno é para uma sala de aula de crianças do 3° ano”, escreveu Rita Matias nas redes sociais esta quarta-feira a propósito de um recorte do livro de Thierry Lenain intitulado “Será que a Joaninha tem uma pilinha?”. 

“Esta história que acabei de ler é uma das histórias que está presente no manual de terceiro ano que se chama ‘A Grande Aventura’. Para quem acha que a ideologia de género está plenamente vencida, está muito enganado. Os pais têm que fazer um papel de fiscalização e têm que estar em cima daquilo que é lecionado nas salas de aula e acima de tudo têm de perceber que esta agenda macabra continua presente a deturpar as mentes dos vossos filhos e a fazê-los terem questões que não são apropriadas para a fase da vida em que estão”, considerou Matias.

De facto, o texto que Matias leu na íntegra aborda a história de um menino (Max) que conhece uma colega (Joaninha) que não desenha “flores patetas”, mas sim “mamutes”; que “joga à bola e sobe às árvores”; e que tem “uma bicicleta de rapaz”. Por não acreditar que Joana é uma menina, durante uma tarde num parque de campismo Max sugere que os dois tomem banho nus. Com isso, apercebe-se que Joaninha não tem uma “pilinha” e que, de facto, também ela pode fazer o mesmo que ele. A história surge na página 42 deste manual.

“Isto é lamentável e merecerá do Chega um repúdio enorme. Vamos contactar o Ministério da Educação e pedir que este manual deixe de circular“, acrescentou a deputada.

O Polígrafo contactou o Ministério de Fernando Alexandre, que esclareceu que “não cabe à Direção-Geral da Educação (DGE) a recomendação de adoção de manuais escolares“, mas antes a publicação, em cada ano letivo, das “listas dos manuais disponíveis para adoção, extraídas da plataforma Sistema de Informação de Manuais Escolares (SIME), a partir dos registos aí inseridos pelas editoras para que as escolas possam fazer a sua seleção”.

Segundo a mesma fonte, o manual foi publicado em 2013 e “submetido, no mesmo ano, ao procedimento de avaliação e certificação de manuais escolares, tendo-lhe sido atribuída a menção de ‘Favorável’ pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal”. Logo nesse ano letivo (2013/2014), o livro já constava da lista de seis manuais de Língua Portuguesa certificados, tendo sido adoptado por várias escolas como a Escola Básica de São Vicente/Telheiras, Lisboa, a Escola Básica de Colares, Sintra, ou a Escola Básica da Avenida Heróis do Ultramar, Évora.

“O seu período de vigência terminou no ano letivo de 2021/2022, com a publicação do Despacho n.º 4947-B/2019, de 16 de maio, que determinou a adoção de novos manuais para a disciplina de Português do 3.º ano de escolaridade (entre outros) a partir do ano letivo de 2022/2023. Como tal, atualmente o manual já não se encontra disponível para adoção“, explicou o gabinete, reforçando que nenhuma escola utiliza neste momento o manual.

No entanto, acresce a esta história a informação de que este texto em específico constava da versão anterior do mesmo livro, utilizada em 2012. Ou seja, no manual que esteve em vigor entre 2013 e 2022 e a que o Ministério se referiu já não havia qualquer menção ao conto de Thierry Lenain, o que torna ainda mais falsa a informação divulgada por Rita Matias.

Sobre se esta leitura é adequada para alunos do primeiro ciclo, a mesma fonte considerou ainda que “à DGE compete garantir o procedimento de avaliação e certificação dos manuais escolares”, mas não a “validação dos conteúdos nem da sua adequação, tarefa essa reservada às equipas de avaliação e certificação, conforme disposto no n.º 2 do artigo 2.º da Lei 47/2006”.

“Não obstante, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, através da Direção-Geral da Educação, sempre que deteta ou lhe são reportados erros nos manuais escolares promove a audição dos respetivos editores e emite as recomendações que considera adequadas com vista à sua correção”, especificou o gabinete.

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Nota editorial: Informação sobre o manual em que estava incluído o texto de Thierry Lenain acrescentada às 19h00 de 12/11.

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Avaliação do Polígrafo:

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