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Selo da “Rainforest Alliance” num produto alimentar indica que contém insetos?

Ambiente
O que está em causa?
Em diversas publicações nas redes sociais alerta-se para o selo da rã verde que aparece em alguns produtos alimentares. Supostamente indica que contém insetos. Verdade ou mentira?

“Selo ‘alimentação saudável’. Qualquer produto que tenha este selo pode conter insetos como fonte de proteína, uma explicação bonitinha para te empurrar merda goela abaixo”, avisa-se num post de 23 de julho no Facebook, entre muitos outros exemplos de mensagens que apontam no mesmo sentido.

A publicação inclui a imagem do que parece ser um produto que mistura cacau e café, ostentando o tal selo da rã verde que corresponde ao “Certificado ‘Rainforest Alliance'”. Numa segunda imagem, aliás, exibe-se o resultado de uma pesquisa sobre “o selo com o sapo nos alimentos” no motor de busca “Google” que direciona para a seguinte informação: “O selo Rainforest Alliance significa que o ingrediente específico foi cultivado em fazendas certificadas com a ‘Norma de Agricultura Sustentável Rainforest Alliance’ e/ou o ‘Código de Conduta UTZ'”.

“Muita atenção para o uso de insetos nos alimentos“, alerta-se noutro exemplo, deste vez um tweet de 19 de julho com um vídeo em que se mostra o selo da rã verde impresso numa caixa de gelados à venda num qualquer supermercado.

Estas denúncias têm algum fundamento?

O selo da rã verde exibido nas imagens corresponde, de facto, ao “Certificado ‘Rainforest Alliance'”, iniciativa de uma organização não governamental e sem fins lucrativos – fundada em 1987 pelo ecologista norte-americano Daniel Katz – que promove este sistema de certificação internacional para produtos fabricados de forma sustentável.

Na página da organização explica-se que “o selo significa que o ingrediente certificado foi produzido utilizando métodos que apoiam os três pilares da sustentabilidade: social, económico e ambiental. Auditores independentes e de terceira parte – essenciais para a integridade de qualquer programa de certificação – avaliam os agricultores em relação aos requisitos em todas as três áreas antes de conceder ou renovar a certificação. Os nossos programas de certificação baseados em dados enfatizam o compromisso com a melhoria contínua, treinamento em sustentabilidade e claros benefícios para os agricultores”.

Não encontramos qualquer informação sobre a pretensa inclusão de insetos nos produtos alimentares certificados pela “Rainforest Alliance”.

De resto, a “AFP Checamos” também analisou estas publicações e chegou à mesma conclusão.

Cornetto, Magnum, Nesquik e KitKat, quatro dos produtos que aparecem no vídeo incluído em algumas publicações, constam no site da ‘Rainforest Alliance’ como alimentos certificados pela organização, já que o cacau utilizado para fazer os chocolates e gelados foi colhido em ‘fazendas que seguem práticas sustentáveis‘. Embora a sequência mostre uma tablete de chocolate da Ritter Sport com o selo, a marca não aparece na lista de produtos com o certificado”, apurou a “AFP Checamos”.

“Consultada pela ‘AFP Checamos’, a assessoria de imprensa da Nestlé, fabricante do Nesquik e do KitKat, afirmou que ‘o certificado da ‘Rainforest Alliance’ verifica que o cacau utilizado nos [seus] produtos foi obtido de maneira responsável para criar um mundo onde as pessoas e a natureza prosperem em harmonia'”, informou.

Mais, “a equipa de comunicação da empresa Ritter Sport disse à “AFP Checamos” que desde 2018 que as suas tabletes de chocolates são credenciadas como cacau ‘100% certificado’, primeiro com o selo ‘UTZ‘ e depois com o da ‘Rainforest Alliance’. ‘A certificação é sobre como se cultiva o cacau e nesse ponto não tem nada a ver com nenhum outro ingrediente do chocolate’, explicou um responsável de imprensa, que descartou a alegação de que elaboram o produto com insetos, como apontam as publicações nas redes”.

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Avaliação do Polígrafo:

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