“Dito no focinho de António Costa com o ‘jornalista’ a demonstrar a azia do costume”. A descrição faz parte de um tweet publicado esta quarta-feira, um dia depois da demissão do Primeiro-Ministro (na sequência da investigação aos negócios em torno do lítio e do hidrogénio verde), onde um António Costa visivelmente mais jovem está frente a frente com o então líder dos socialistas, António José Seguro.

Costa era ainda autarca na Câmara de Lisboa, mas naquele mês de setembro de 2014 já se fazia concorrente de Seguro: disputavam ambos o cargo de secretário-geral do PS, que Costa acabou por conseguir nas primárias desse ano. No debate derradeiro entre o “ex” e o atual, na RTP, Seguro acusou o agora PM demissionário de ter causado crise no PS e de misturar “política com negócios”.

“Há um partido invisível na sociedade portuguesa que tem diversas expressões nos partidos de poder e noutras organizações. Eu tive oportunidade de dizer que considerava que as pessoas no PS que de alguma forma estão associadas a esses interesses apoiam António Costa“, começou por afirmar Seguro.

Vou dar-lhe um exemplo: Nuno Godinho de Matos, fundador do PS e apoiante de António Costa, foi até há pouco tempo administrador do BES, apoiou no ano passado o candidato do PSD à Câmara de Oeiras, foi advogado da Ferrostaal no negócio dos submarinos, e no outro dia deu uma entrevista a dizer que estava na administração do BES por razões políticas”, acrescentou o secretário-geral do PS.

Seguro apelidava Godinho de Matos de “porta-voz dos fundadores” que então apoiavam Costa na corrida à liderança dos socialistas. “A conclusão é que há uma promiscuidade total entre o sistema financeiro, os negócios, a política e apoio dos outros partidos”.

Costa teve direito a resposta e considerou que Seguro derrapou para o insulto pessoal, o que o “desqualificava” para o cargo de secretário-geral do partido. Quanto às acusações, qualificou-as como “graves“.

“Tu tratas como traidores e inimigos os teus camaradas e não foste capaz de fazer frente ao Governo. O que acabas de fazer aqui é uma coisa muito feia, querendo-me atacar a mim em função do que fazem os meus apoiantes, ainda por cima ‘ad hominem'”, reagiu o então autarca de Lisboa.

Minutos mais tarde no frente a frente, Seguro garantiu a Costa: “Não recebo nenhuma lição de moral tua, nenhuma.” Costa não hesitou: “Mas fazia-te falta.”

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