A afirmação em causa de João Cotrim de Figueiredo surgiu em resposta a uma série de críticas de António Costa, líder do PS, no debate desta sexta-feira que foi transmitido na TVI. O primeiro-ministro acusou o partido Iniciativa Liberal de querer cortar nas contribuições para a Segurança Social, nomeadamente ao nível das empresas e da Taxa Social Única (TSU). Cotrim de Figueiredo defendeu-se e explicou que esse valor passaria a ser pago ao trabalhador, mas Costa prosseguiu:

"Este sistema [que o Iniciativa Liberal defende] é o sistema que deixa completamente desprotegidas as poupanças. De quem está a contribuir hoje, mas também de quem está a receber a sua pensão."

O líder dos liberais justificou a medida e disse que o partido não estava a "inventar a roda", mas antes a propor "políticas testadas", já que "o liberalismo de facto funciona e faz falta. (…) Existe um sistema parecido no Reino Unido, existe na Dinamarca, existe na Suécia, existe em vários outros países europeus e funciona".

Cotrim de Figueiredo prosseguiu, recorrendo à ironia para contra-atacar o adversário: "Vou dar-lhe uma novidade. Já hoje, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social tem cerca de 20% da sua carteira, 23 mil milhões de euros, investida na bolsa. Investida em empresas tão interessantes como a Louis Vuitton, como a EasyJet, Shell, Coca-Cola. Duzentas empresas, a maior parte delas estrangeiras, fazem parte da carteira do FEFSS, sabia?"

Tudo isto para concluir que "a Segurança Social também está a pôr em risco as poupanças dos portugueses". Mas será que Cotrim de Figueiredo tem razão?

Segundo o relatório e contas do ano de 2020 do FEFSS (o mais recente que está disponível), no final desse ano o valor em carteira era de 21,761 mil milhões de euros, "o que corresponde a uma rentabilidade anual, líquida de transferências, de +4,33%".

De facto, no documento realça-se que "a componente de ações, com um peso no FEFSS no fim do ano de quase 21%, registou uma performance positiva de mais de 6%". Segundo os limites à composição do ativo, o FEFSS só pode ter um máximo de 25% investido em ações ou ativos de idêntica natureza de sociedades anónimas negociáveis em mercados regulamentados.

Já na dívida pública, no mesmo período, eram aplicados 50,49% dos ativos do FEFSS. Ou seja, 10,99 mil milhões de euros, respeitando o mínimo de 50% investido em títulos da dívida portuguesa ou outros garantidos pelo Estado português.

"Não obstante uma evolução volátil", indica-se no relatório, "os mercados acionistas ao nível global terminaram o ano em terreno francamente positivo". Ora, analisando o quadro de ações e investimentos, verifica-se que o FEFSS detém ações de empresas e marcas tão conhecidas como a Burberry, a AstraZeneca, a EasyJet, o grupo Rolls-Royce, a Unilever, a Royal Dutch Shell, a Louis Vuitton, a Coca-Cola e a Adidas, entre outras.

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