"No entendimento do governante, para reduzir os níveis de tensão entre utentes e profissionais de saúde é importante a aposta em 'salas de espera com bom aspecto, com televisão, com revistas e alimentos leves'. Para o secretário de Estado, estas são 'soluções muito simples, mas que ajudam a criar um ambiente de menor tensão'", indica-se no texto da publicação.

Confirma-se que o secretário de Estado da Saúde propõe "chazinhos e bolinhos" para evitar agressões a médicos?

As declarações em causa de António Lacerda Sales foram registadas no decurso do programa "Em Nome da Lei", da Rádio Renascença, transmitido no dia 17 de janeiro de 2020.

"O secretário de Estado da Saúde está contra o agravamento das penas aos agressores de médicos e enfermeiros - algo pedido pelos profissionais do SNS numa petição entregue na Assembleia da República (AR). António Lacerda Sales defende que 'não é pela repressão que se combate a violência nos hospitais e centros de saúde. Mas a aposta deve ser antes na prevenção'. Até setembro de 2019, a plataforma criada pela Direção-Geral da Saúde registou a denúncia de quase mil casos de agressões contra profissionais de saúde, uma média de 3 a 4 agressões por dia. António Lacerda Sales admite que fatores como os tempos de espera poderão contribuir para um ambiente de tensão entre os utentes do SNS. Mas argumenta que os médicos também mudaram de comportamento, passando a notificar as ocorrências, o que antes não faziam", destaca a Rádio Renascença, em artigo de síntese do programa que contou com vários entrevistados.

Posteriormente, António Lacerda Sales justificou a sua afirmação, defendendo que, quando falou "em chazinhos e bolos" não o fez "como medida depreciativa". Esta medida "simples e coadjuvante" poderá ser útil para "criar um ambiente friendly de menor tensão".

"O secretário de Estado da Saúde diz que o que é preciso é evitar que aconteçam as situações de violência. E para baixar a tensão entre utentes e profissionais de saúde, prescreve 'melhores salas de espera nos hospitais, com revistas e comidas leves'. Isabel Martins, uma das médicas que assinou a petição entregue na AR a pedir o agravamento das penas contra quem agrida médicos e enfermeiros, contrapõe que 'não é com chá e bolos' que o Governo conseguirá baixar a tensão que se vive no SNS. As pessoas chegam aos hospitais cheias de dores. Querem é ser atendidas o mais rapidamente possível', argumenta a médica, que trabalha atualmente na medicina privada, mas esteve durante muitos anos no SNS", relata-se no mesmo artigo.

Posteriormente, António Lacerda Sales justificou a sua afirmação, defendendo que, quando falou "em chazinhos e bolos" não o fez "como medida depreciativa". Esta medida "simples e coadjuvante" poderá ser útil para "criar um ambiente friendly de menor tensão".

Em suma, a citação é verdadeira, embora tenha sido proferida num determinado contexto que não está devidamente explicado na publicação sob análise. Mais, a proposta do secretário de Estado da Saúde não se resume a "chazinhos e bolinhos", englobando outras medidas no sentido de providenciar "melhores salas de espera nos hospitais".

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